A disparada de preços dos alimentos e bebidas mudou a composição do carrinho de compras do brasileiro. A cerveja, por exemplo, vem perdendo participação na cesta de supermercado.

Dados da Kantar mostram que a participação da cerveja nos lares brasileiros recuou de 49% para 47% do segundo trimestre de 2020 para igual período de 2021. Isso equivale a 1 milhão a menos de lares comprando cerveja.

Para a Kantar, dá para se fazer duas leituras desse comportamento. O primeiro está relacionado à inflação: com o aumento de preços, as famílias mais pobres estão sendo obrigadas a fazer escolhas e priorizando o que é essencial.

“A categoria também aumentou seu preço médio em 7%, passando de R$7,19 para R$7,70, o que explica a retração em classes mais baixas, que precisam otimizar o orçamento em tempos de inflação”, diz Carolina Silvestre, diretora de contas da Kantar.

O segundo motivo para justificar a queda no consumo de cerveja tem a ver com o avanço da vacinação e aumento do consumo fora de casa. “Com o avanço da vacinação, vemos classe AB, adultos de 30 a 39 anos, retornando gradativamente o consumo fora do lar. Isso pode estar correlacionado a retração do consumo de cerveja dentro do lar, pois a classe AB é a que mais puxa a queda, seguido das classes mais baixas”, afirma Carolina.

E o que as pessoas estão comprando?

Não chega a ser uma substituição, mas aumentou o consumo de suco em pó nos lares brasileiros. A categoria passou de 67% de penetração nos lares para 70% no segundo trimestre de 2021. Esse aumento equivale a um aumento de 1,8 milhões no número de novos lares compradores.

“A busca por se refrescar é a principal motivação de consumo de suco em pó, que cresceu especialmente nos lares adultos maduros e jovens”, diz Carolina.

CategoriaVariação da incidênciaVariação do gasto
Vinho+8,9%19,2%
Verduras+6,3%90,8%
Ovos+5%20,8%
Biscoito+3,7%18%
Frango+3,6%12,9%
Água mineral-1,1%15,3%
Frutas-1,3%-9,5%
Sabonete-1,9%16,4%
Pão-2,7%17,1%
Cerveja-9,7%-11,5%

*Dados da Horus

Menos carne vermelha, mais frango

A inflação da carne bovina mudou o cardápio do brasileiro. Enquanto o consumo de carne vermelha caiu 3,9% de janeiro a junho, as compras de frango aumentaram 6,5%, segundo dados da Horus.

O curioso é que mesmo comprando menos carne bovina, o gasto com essa categoria subiu 9,6% de janeiro a junho. No mesmo período, o gasto com compras de frango caiu 2,9%.

Tipo de carneIncidência na cesta (jan x junho)Gasto no período jan x jun
Carne bovina-3,9%+9,6%
Frango+6,5%-2,9%
Carne suína+4,3%-1,3%

O levantamento da Horus mostra ainda que os cortes de carnes que mais aumentaram de preço de janeiro a junho foram o fígado (+29%), maminha (+22,9%) e filé mignon (+14,8%).

Outro item que ampliou a presença na cesta de compras foi o empanado, como steak e nuggets. “No segundo trimestre, vimos o crescimento de empanados e batatas congeladas em todas as classes sociais e cresce especialmente nas classes C, DE. Neste contexto de aumento de preços, o consumidor equilibra suas escolhas optando por economia, mas sem abrir mão da praticidade”, afirma Carolina.

CorteVariação de preço jan-jun
Fígado29%
Maminha22,9%
Filé mignon14,8%
Patinho13,7%
Coxão mole13,1%
Fraldinha8,1%
Alcatra6,7%
Lagarto redondo6,4%
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