A volta ao trabalho presencial mudou o desejo de consumo dos brasileiros na Black Friday. Exemplo disso é que as roupas estiveram no topo do ranking de crescimento de intenções de compra registradas pelo Google entre 11h e 13h desta quinta-feira (25).

O interesse pelos artigos de moda subiu 237%, seguido dos relógios inteligentes, com 208%. No ano passado, quando o Brasil ainda vivia período agudo da pandemia do novo coronavírus, utensílios domésticos lideraram as buscas dos consumidores.

De acordo com o gerente de Insights Analytics da companhia no Brasil, Rodrigo Chamorro, a mudança se deve à retomada das interações sociais e ao momento desafiador da economia do país.

“Muitos produtos estão ligados à retomada da vida social, como roupas para sair à noite e vinho para os jantares com os amigos. No ano passado, víamos busca por coisas para a casa e reforma para a casa”, lembra.

Os produtos de tecnologia são uma das categorias mais cobiçadas desde que o Brasil importou a Black Friday. Neste ano, no entanto, itens de valor mais baixo, como os relógios inteligentes e os conversores que conectam a televisão à internet, têm se destacado em detrimento das TVs, dos smartphones e dos computadores.

“Existem dois fatores que explicam isso. O primeiro é o momento da economia brasileira, que pode fazer com que pessoas deem preferência a produtos com tíquete médio menor. Outro é a possibilidade de as pessoas estarem esperando o ápice da Black Friday, que é amanhã, para procurar produtos mais caros com descontos maiores”, explica.

A entrada do varejo alimentar na onda de promoções foi uma das principais surpresas e revela, segundo Chamorro, a consolidação da data no Brasil. A diversificação da cesta de produtos é consequência também do aumento do número de empreendedores digitais presentes nas plataformas desde o início da pandemia, avalia ele.

“São produtos de tíquete médio mais alto, como vinhos e chocolates. Nós vemos a cesta de produtos aumentando muito. Isso vem, em parte, da demanda dos consumidores e, em parte, dos estímulos para a participação do varejo como um todo. Com a pandemia, muitas pessoas começaram a vender online por meio de grandes marketplaces, o que contribui para a maior gama de produtos disponíveis.”

O preço nem sempre é o único incentivo às compras da Black Friday. Na comparação com 2020, o cashback foi a condição comercial que mais cresceu, com avanço de 38%, enquanto promoção e frete rápido recuaram 4% e 17%, respectivamente.

“O cashback tem tido muito apelo. Às vezes o produto não chegou no valor que a pessoa gostaria, mas ela avalia o retorno do cashback e faz a compra. Temos visto TV de 2 mil reais com cashback de 25%. No ano passado o frete rápido tinha um apelo muito grande. Hoje, a retirada em loja cresceu porque as pessoas já têm mais segurança e liberdade para se locomover pelas ruas.”

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