Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) – O relator da CPI da Covid do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), aceitou pedido do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) para pedir em seu relatório final o indiciamento do senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS), decisão essa que foi alvo de críticas de governistas e do presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (MG).

Na sessão destinada a votar o parecer de Renan, Alessandro Vieira disse durante sua fala “lamentar muito”, mas apresentou requerimento para indiciar Heinze, que é integrante da comissão, por “disseminar reiteradamente notícias falsas que impactam na vida”. Ao longo da CPI, Heinze fez forte defesa da adoção do tratamento precoce.

“Esta comissão, a ciência, os livros, a imprensa, todos já apresentaram um volume imenso de informações que mostra que esses dados que o senador repete aqui são falsos. Mas, infelizmente, o eleitor do Heinze, lá no interior do Rio Grande do Sul, vai entender que é verdadeiro, porque ele está abrindo a internet e está vendo o senador Heinze repetindo todos os dias, sem nenhuma reprimenda”, disse.

“Esta CPI teve a coragem de pedir o indiciamento do presidente da República, do líder do governo. Não pode fechar os olhos com relação ao comportamento do seu colega parlamentar, senador da República, que repete reiteradamente a mentira como forma de desinformar o cidadão Peço deferimento, senhor relator”, defendeu.

Heinze protestou contra o pedido, mas Renan acolheu, justificando que, apesar das advertências, o senador “reincidiu aqui todos os dias, apresentando estudos falsos, logo negados pela ciência, e pela maneira como incitou ao crime em todos os momentos”. Destacou que ele seria o 81º indiciado pela CPI.

Em nota, o presidente do Senado contestou a decisão. “Nunca interferi e não interferirei nos trabalhos da CPI. Mas, pelo que percebo, considero o indiciamento do senador Heinze um excesso. Mas a decisão é da CPI”, disse Pacheco.

A decisão do relator de incluir Heinze na lista dos pedidos de indiciamento ainda precisará ir à votação.

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