Nesta quarta (dia 28), o BC manteve a taxa básica em 2% ao ano e admitiu no comunicado da decisão que as últimas leituras de inflação de curto prazo ficaram acima do esperado. A pergunta que muitos investidores se fazem é sobre quando o reinado de juros baixíssimos terá fim no Brasil.

O boletim Focus divulgado nesta semana pelo Banco Central já mostra que a maioria dos especialistas ouvidos espera uma taxa básica (Selic) de 2,75% no final de 2021 –há uma semana, a aposta era em 2,5%.

Há alguns meses, a inflação não parecia ser, nem de longe, uma preocupação.

Aos poucos, entretanto, ela voltou a dar as caras: a forte demanda da China por commodities e o real cada vez mais fraco em relação ao dólar fizeram as exportações crescerem, elevando preços no mercado interno.

O mercado espera que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) termine este ano em 2,99% e o próximo em 3,10%, abaixo das metas de 4% e 3,75%, respectivamente.

Pressão de demanda sobre a inflação pode diminuir

Além dos tradicionais cenário fiscal e dólar, especialistas apontam outro fator que deve influenciar nas decisões futuras do BC: a retirada gradual dos estímulos à economia, que pode tirar a pressão sobre a inflação.

O auxílio emergencial de R$ 600, por exemplo, foi apontado como um dos maiores amortecedores de uma crise que poderia ter sido muito maior. Ao lado da forte alta das exportações, foi apontado como um dos motivos para a variação de preços ter começado a chamar a atenção nos últimos meses.

Desde o mês passado, o benefício foi cortado pela metade: serão pagos R$ 300 até dezembro. Outros estímulos que são finitos são a suspensão temporária de parcelas de financiamentos pelos bancos e a flexibilização de regras para contratos trabalhistas durante a pandemia.

Para João Beck, sócio da assessoria de investimentos BRA, essa é uma das razões pelas quais a inflação e os juros se manterão controlados pelos próximos anos no Brasil e no mundo.

“O endividamento alto dos países já não favorece políticas estimuladoras”, afirma. “Nesse cenário, e também com a retirada dos estímulos no Brasil, acreditamos numa inflação e numa taxa Selic mais comportadas, sem altas nos próximos anos”.

“Os preços dos alimentos foram, em parte, influenciados pelo auxílio emergencial. Acredito que o Banco Central vai esperar os próximos dados da economia para tomar suas decisões sobre política monetária”, reforça Rossano Oltramari, sócio da 051 Capital.

E como ficam os investimentos?

Se o Brasil se mantiver de fato por um bom tempo com juros entre 2% e 3% ao ano, a tendência é de aprofundamento do processo já em curso de diversificação de investimentos.

“A diversificação faz milagres. Combinar uma carteira com ativos diferentes entre si, como ações, renda fixa, fundos imobiliários, ativos internacionais em dólar e tantas outras opções traz tranquilidade e tira a ansiedade do noticiário econômico”, aconselha Beck.

Oltramari lembra que diversificar não significa sacar todos os recursos da renda fixa e aplicar em ações.

“Pega 10% e coloca em ações, mais 10% e aplica em fundos imobiliários, 5% e investe em crédito privado, 5% em ouro, 5% em exterior”, exemplifica. “Com os juros baixos as pessoas estão precisando se reinventar, buscar alternativas, e isso significa buscar um pouco mais de risco”.

 

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