Depois de despencar no começo da pandemia, as vendas de produtos de linha branca começaram a se recuperar fortemente em junho. Esse movimento é reflexo, principalmente, de dois fatores: reabertura do comércio de rua e shoppings e efeito do auxílio emergencial sobre o consumo. Com um dinheiro garantido no bolso, muitos beneficiários conseguiram comprar produtos faltavam há tempos dentro de casa.

Por que as vendas caíram e o que a reabertura do comércio tem a ver com isso? Por uma combinação de fatores. O primeiro deles é financeiro: produtos como refrigeradores e lavadoras de roupa exigem um investimento financeiro maior. No início da pandemia, momento de pânico para a maioria dos consumidores, a primeira reação foi a de suspender compras mais caras.

Com o passar do tempo, o consumidor foi se adaptando e voltou a comprar produtos que aumentassem o conforto da sua quarentena, como aspirador de pó e batedeira. Nessa fase de adaptação, as compras de linha branca ainda não tinham se recuperado.

“Na maioria das vezes, esse tipo de compra é de reposição. O consumidor só compra um novo quando o seu já não dá mais. Não é como celular, que troca com mais frequência”, afirma Fernando Baialuna, diretor da GfK.

Mas a situação começou a mudar a partir da reabertura do comércio. Por ser uma aquisição mais cara, é importante para o consumidor ver de perto o produto. “O consumidor pode até comprar na internet, mas gosta de ir na loja física antes para ver de perto o produto”, diz ele.

Dá para ver em números como foi isso? Dá sim. Os números abaixo mostram a queda acentuada no começo da pandemia e a recuperação a partir de junho (os dados comparam a variação em relação ao mesmo período de 2019).

Produtofase do pânico (23/3 a 19/4)fase da adaptação 1 (20/4 a 31/5)fase de adaptação 2 (1/6 a 13/7)
fogão-43%19%45%
refrigerador-43%6%54%
lavadora-45%4%26%
microondas-28%23%45%

Isso significa que as vendas estão sendo concluídas nas lojas físicas? Curiosamente, não. O online representava 25% das vendas de eletrodomésticos, eletroportáteis e eletroeletrônicos. Com a pandemia, essa fatia saltou para mais de 50%.

“Existe um movimento muito forte de compra nos canais online, não só da classe média mas também do público de menor renda e os mais velhos. Pessoas que não estavam acostumadas a comprar no online, se viram obrigadas a fazer isso na pandemia”, diz Baialuna.

O resultado disso é que o número de pessoas que fizeram compras na internet pela primeira vez cresceu em quase todas as redes varejistas. O Mercado Livre, por exemplo, mediu a entrada de 2,6 milhões de novos consumidores no Brasil entre 24 de fevereiro e 03 de maio. No Carrefour, 60% das vendas do e-commerce foram feitas por novos clientes.

O e-commerce continuará nesse patamar? Para o especialista, o consumidor fará uma migração para o que se chama de phygital, que é a redução entre as fronteiras do mundo físico e o digital.

“Milhares de consumidores que viram para o online experimentaram uma jornada diferente de compra, seja pelo app, pelo site ou WhatsApp. Esse aprendizado vai mudar a forma como o consumidor toma sua decisão de compra”, afirma Baialuna.

Com isso, como estão as vendas do segmento? Apesar da queda brutal registrada no início da pandemia, o setor de eletro registra um aumento nas vendas de 5%. A dúvida é sobre como será o fechamento do ano. Entre os fatores que jogam contra estão o fim do efeito do auxílio emergencial, aumento do desemprego e redução da renda. “A principal incógnita é sobre o terceiro trimestre, porque no quarto trimestre há a Black Friday. Muita gente já antecipou as compras, vai haver demanda lá na frente?”, questiona Baialuna.

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