Os brasileiros já estão confinados dentro de casa há quase cinco meses. Depois desse tempo todo, percebeu que seus móveis estão velhos, que a cama não é tão confortável e que está na hora de trocar de sofá. Quem teve a ideia de comprar esses itens durante a pandemia se deparou com vários problemas – desde falta de produtos até aumento do prazo de entrega, que passa de 60 dias em alguns casos.

O que está por trás disso? Cândida Cervieri, diretora-executiva da Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), diz que o setor está sofrendo com a falta de entrega de matéria-prima. Por isso, não consegue atender todos os pedidos do varejo. “Falta de tudo, falta matéria-prima para móveis internos e externos”, afirmou.

Segundo ela, essa falta generalizada de materiais é reflexo da pandemia de coronavírus, que paralisou a produção de muitos fornecedores. “A demanda do consumidor continuou existindo, mas teve pólo fabril que parou ou opera com capacidade reduzida.”

Felipe Pedroso, da rede Cia do Sono, diz que sofreu menos com a falta de matéria prima porque se preparou. “Tivemos um problema no começo com falta de materiais. Mas sentimos que haveria um colapso e nos preparamos: fizemos um estoque maior e isso nos permitiu atravessar essa fase.”

Qual o efeito disso para quem vende móveis? Lojistas ouvidos pelo 6 Minutos disseram que a indústria de móveis está com dificuldade de anteder a demanda do varejo. Alguns já venderam os móveis do mostruário e aguardam a chegada de novos móveis.

Esse é o caso Yahia Hammadeh, dono da loja Laville. “Como a indústria não está produzindo, tenho que vender os móveis do show-room.”

Segundo ele, essa situação gera um problema para o varejo de móveis. “A gente pode até vender mais, mas ganha menos, pois os móveis do show-room têm desconto em relação àqueles que chegam da fábrica na casa do cliente”, disse.

A Faaza Móveis Exteriores também foi afetada pela falta de insumos na origem da cadeia produtiva. “A espuma está com problemas de atraso, pois um dos componentes do material é importado”, afirma Patricia Bispo, gerente comercial da Faaza.

As vendas subiram? Renata Nunes, dona da Fullhouse, diz que não tem do que se queixar. “Abril foi um mês ruim. Nos outros meses, nossas vendas ficaram normais, mesmo de portas fechadas.”

Para não perder vendas, a Fullhouse apostou na venda por redes sociais e WhatsApp. A marca se prepara para inaugurar neste mês sua segunda loja nos Jardins, em São Paulo.

Felipe Pedroso, da Cia do Sono, diz que as vendas de abril a julho cresceram 360% em relação a igual período de 2019. “As pessoas perceberam que precisavam trocar de colchão, de travesseiro. Fizemos máscaras também.”

Na Faaza, que trabalha com móveis para áreas externas, o aumento foi de 45%. “’Esse aumento foi percebido visto que as pessoas estão ficando em casa e querem deixar o espaço mais aconchegante”, afirma a gerente.

Qual o efeito disso para o consumidor? Yahia Hammadeh, da loja Laville, disse que o consumidor pode se preparar para pagar mais caro e esperar mais para receber seus móveis novos. “O prazo de entrega duplicou, no mínimo. Antes da pandemia, o setor trabalhava com um prazo de 30 dias úteis. Agora, pode passar de 60 dias.”

Na Faaza, a demora para recebimento da matéria prima também afeta o prazo de entrega. “A fibra sintética, a corda náutica e o tricô náutico, tendências de mercado para áreas externas, estão com prazo de entrega de 20 dias. Antes da pandemia, esse prazo era de 4 dias”, afirma Patrícia.

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