Ficou mais caro preparar a pizza, o misto quente, o pastel e a lasanha. É que o preço do queijo muçarela, um dos principais ingredientes de todos esses pratos, disparou. Em São Paulo, segundo dados do IEA (Instituto de Economia Agrícola), o quilo da muçarela passou de R$ 32,49 em janeiro para R$ 42,62 em setembro, um aumento de 31,18%.

Com esse salto de R$ 10, o preço do quilo da muçarela já ultrapassa o de vários cortes de carne, como da alcatra, que em setembro era vendida por R$ 39,36, segundo pesquisa de valores cobrados no varejo do IEA.

Achou muito? A pesquisadora Natália Grigol, do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da USP, diz que no atacado o aumento foi muito maior: 56,6%. No mesmo período, de janeiro a setembro, o preço da muçarela no atacado passou de R$ 18,77 para R$ 29,40.

O que isso significa? O fato de o aumento de preço ter sido muito maior no atacado do que no varejo mostra que o comércio, de alguma forma, absorveu uma parte desse custo. Isso dá para ser feito elevando a margem em outros produtos, por exemplo.

Por que subiu tanto o preço da muçarela? É tudo culpa do leite, a principal matéria-prima da muçarela. No produtor, o preço do litro de leite subiu 55,5%, passando de R$ 1,37 em janeiro para R$ 2,13 em janeiro, segundo cálculos feitos por Natália.

No varejo de São Paulo, o litro de leite longa vida avançou 35%, passando de R$ 3,23 para R$ 4,36 entre janeiro e setembro.

Então, para saber por que o preço da muçarela subiu tanto é preciso entender o aumento do preço do leite.

Por que o leite subiu tanto? Natália diz que o país sofre com um desequilíbrio entre oferta e demanda de leite. Essa escassez de leite no campo impacta no preço que o produtor cobrará da indústria e que mais tarde será repassado ao varejo e ao consumidor.

Entre os fatores que pressionam a oferta de leite estão:

  • Condições climáticas: o período prolongado de seca e a falta de chuvas reduziram a pastagem disponível para a vacas, o que afeta a produção.
  • Dólar alto: como o custo do dólar afeta o preço da ração, ficou mais caro alimentar as vacas, elevando os gastos de produção. “De 35% a 40% do custo de produção é a alimentação, a ração. Com a alta dos grãos, ficou mais caro produzir leite. Isso é um desestímulo à produção, o que reduz a oferta”, diz Natália.
  • Pandemia: os produtores não sabiam direito em março como ficaria a demanda por leite. Por isso, segundo ela, alguns adotaram medidas que reduziram a oferta de leite. “Eles secaram as vacas para evitar que o pico de lactação ocorresse em um momento errado.”

Mas a demanda também pressionou o preço do leite:

  • Auxílio emergencial: a injeção desse benefício ajudou a sustentar o consumo de forma generalizada, o que influenciou os preços de vários produtos.

O que acontece daqui para frente? O período de entressafra está acabando agora, o que significa que os produtores podem ter melhor condições de produzir. Por outro lado, segundo Natália, as incertezas sobre o futuro da economia podem segurar investimentos necessários para ampliar a oferta de leite. “É difícil fazer previsões. Vários segmentos que consomem muita muçarela, como restaurantes foram fechados na pandemia. Essas incertezas afetam as decisões do proddutor rural”

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