O varejo paulista fechou dezembro com uma queda de 6,3% nas vendas em relação ao mesmo período de 2019, segundo a balanço da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Os números referem-se apenas a vendas físicas.

A expectativa era de que neste último mês, com as compras para o Natal em alta, houvesse números semelhantes ao fim de 2019.

Em relação a novembro, houve elevação média de 18,4% de vendas.

Esse resultado já era esperado? Não. A prévia do Balanço de Vendas de dezembro da ACSP, divulgada na última quinzena de dezembro com base nos dados fornecidos pela Boa Vista S/A, indicava que o varejo iria se recuperar da crise provocada pela pandemia, mas este cenário não se confirmou.

Segundo Marcel Solimeo, economista da ACSP, os maiores prejudicados com as vendas de dezembro foram os donos de lojas de rua e de shopping com o fechamento temporário do comércio por determinação do Governo do Estado.

“Os dois dias que o comércio perdeu porque teve de fechar as portas foram decisivos para isso”, afirma Solimeu. “As lojas ficaram sem funcionar em dias importantes para o varejo que é o momento em que as pessoas trocam os presentes e aproveitam para comprar algo mais”.

Como está a recuperação do varejo? Estava ocorrendo de forma gradativa desde o ápice da desaceleração das vendas, ocorrido em junho, quando as medidas de flexibilização começaram a valer para o comércio. Desde então, as perdas foram se diluindo com retrações de 54,9%, 47,7%, 33,6%, 14,6%, 9,2% e 5% (junho, julho, agosto, setembro, outubro e novembro, respectivamente).

Agora, a queda que era de 5% em novembro, indicando um possível crescimento para dezembro, fechou em índice negativo de 6,3%.

Qual a expectativa para 2021? Para Solimeo, o cenário de incertezas continua por não sabermos ainda se haverá a extensão do Auxílio Emergencial ou a criação de outro benefício que possa estimular as vendas, além de possíveis medidas de distanciamento com o avanço do vírus.

“Não sabemos se o comércio continuará aberto, fechado ou se a vacinação vai fazer com que as pessoas deixem o isolamento social”, afirmou.

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