A Black Friday que você conhece pode não se repetir neste ano de 2020. O que significa isso? Produtos que são queridinhos do público, como aparelhos de TV e smartphones, sofreram repasses de preços por conta da alta do dólar. Além disso, muitas fábricas interromperam por algum período da pandemia a produção. Por isso, não há estoques elevados para queimar na Black Friday que acontece na última semana de novembro.

Que tipo de Black Friday vamos ter? Já dá para dizer que setores que tiveram quedas brutais de vendas terão mais margem para dar descontos, caso do vestuário e calçados.

“O setor de moda tem que recuperar as vendas de tudo que ficou encalhado no inverno. Essa coleção toda voltou para o estoque. E já tem um estoque de primavera/verão chegando que precisa ser movimentado”, afirma Alexandre Machado, sócio-diretor da Gouvêa Consulting.

E as outras promoções? Esse é o grande X da questão. Por conta do aumento do dólar, produtos que possuem componentes importados tiveram alta de preços, caso dos eletroeletrônicos, notebooks e smartphones, que costumam ser os campeões de vendas da Black Friday.

Para piorar, a produção desses itens também foi impactada pela suspensão do envio de peças que vêm da China, que chegou a fechar suas fábricas para conter a pandemia.

Por tudo isso, é possível que a Black Friday deste ano não consiga dar descontos tão altos quanto às das versões anteriores. “A Black Friday pode ter menos descontos, porque existe menos produto disponível para abastecer o varejo”, diz Fernando Baialuna, diretor de varejo da consultoria GfK.

A redução dos descontos parece já ter se consolidado como tendência no varejo. Levantamento da GfK mostra que o participação das vendas com descontos acima de 10% caiu de 25% em 2019 para 10% neste ano.

José Jorge Júnior, presidente da Eletros, associação que representa as fabricantes de eletroeletrônicos, diz que as varejistas acabaram ajustando os estoques durante a quarentena, em razão da paralisação das fábricas. No entanto, apesar de o número de produtos disponíveis nas lojas ser menor, ele acredita que não há risco de faltar itens na Black Friday e nem no Natal.

“Acreditamos que teremos produtos suficientes para atender às duas datas. Na Black Friday, os eletroportáteis, como televisões, têm muita importância de vendas, e acabam sendo o que chama o consumidor”, conta ele.

A falta de componentes para televisões e smartphones tirou o sono da indústria durante o primeiro semestre do ano, quando as exportações da China foram afetadas pela pandemia. Mas segundo o presidente da Eletros, o fornecimento já está sendo normalizado. A questão agora é o preço, já que até mesmo alguns materiais nacionais, como o aço e o plástico, ficaram mais caros nos últimos meses.

Qual vai ser a saída então? Baialuna diz que os produtos queridinhos até podem entrar em promoção, mas não os lançamentos. “A nossa Black Friday pode ficar mais parecida com a americana, que é mais focada na venda de estoque antigo e nas lojas físicas”, afirma.

Outra solução, segundo ele, é o varejo ampliar o prazo de parcelamento e a oferta de crédito. “O consumidor brasileiro, mesmo os de classe A e B, adora um parcelamento.”

Já o presidente da Eletros acredita que as varejistas vão apertar as margens para conseguir oferecer algum desconto nos produtos novos, especialmente em televisões e celulares. Ainda que os saldos não sejam tão bons quanto os vistos na Black Friday dos anos anteriores, a estratégia deverá ajudar a manter as vendas em alta em um momento de crise econômica, diz Júnior.

As vendas serão boas? Tudo índica que sim. O e-commerce, que costuma ser o principal canal de compra da Black Friday, vem registrando recordes seguidos de vendas durante a pandemia. Além disso, o brasileiro já se habituou a antecipar as compras de Natal na Black Friday.

“A expectativa é que essa Black Friday seja mais um sucesso em nosso calendário de vendas. Conversei com indústrias que ficaram paradas por dois, três meses. Eles retomaram a produção e bateram recorde de vendas em julho e agosto”, conta Machado.

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