Quase 30% dos brasileiros não sabem que dá para usar o Pix para pagar compras em lojas online e físicas. Isso é o que mostra pesquisa realizada pela área de Inteligência de Mercado da Globo sobre o novo sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central.

Esse desconhecimento é reflexo da baixa adesão do varejo ao Pix. Entre os fatores que estão emperrando essa adesão estão a falta de informações sobre tarifas do Pix e de ferramentas para confirmação do pagamento no PDV (ponto de venda).

Mas esse cenário de baixa adesão deve começar a mudar a partir do próximo ano. Gabriel Nóbrega, head de estratégia para o setor financeiro da área de Inteligência de Mercado da Globo, diz que muitos comerciantes evitam fazer grandes mudanças em período de grande volume de vendas, caso do Natal e Black Friday.

“Quem puxou a agenda foram os bancos. Agora, quem vai puxar a adesão são os grandes varejistas. O setor deve assumir para si até o papel educacional de ensinar o cliente a usar o Pix. E aí, virá a adesão em massa do público”, afirmou ele.

Enquanto o comércio não começa essa onda, a população acaba sem muita informação sobre o novo sistema. Mais de 90% dos brasileiros já ouviram falar no Pix. Mas isso não significa que as pessoas entendem direito como ele funciona.

De acordo com a pesquisa, o Pix é totalmente novidade para 53% dos entrevistados. Outros 19% disseram que ele é mais ou menos novidade. E só 28% afirmaram que é o sistema não tem nada de novidade, ou seja, já conhecem todas as funcionalidades do sistema

Os clientes querem usar o Pix? De acordo com a pesquisa, 47% dos clientes disseram que a probabilidade de usar o Pix para pagar compras online é muito alta. No caso das compras em lojas físicas, esse percentual é um pouco menor, 44%.

Como os clientes pagam as compras hoje? Os métodos variam nas compras online e nas presenciais. Veja abaixo:

Meio de pagamentoCompras onlineMeios de pagamentoCompras presenciais
Cartão de crédito parcelado35%Cartão de débito31%
Boleto bancário21%Cartão de crédito/parcelado24%
Cartão de crédito à vista20%Dinheiro24%
Cartão de débito/transferência11%Cartão de crédito à vista15%
Carteira digital9%Carnê/crediário3%

Qual meio de pagamento deve ser substituído pelo Pix? Veja respostas dadas pelos entrevistados:

  • Boleto: 54%
  • Dinheiro: 53%
  • Cartão de débito: 49%
  • Cartão de crédito: 39%

Em que lugares o consumidor pode usar o Pix? Questionados sobre lugares com mais oportunidade de uso, as pessoas responderam compras online e supermercados. Veja:

  • Lojas online: 63%
  • Supermercados: 54%
  • Farmácias: 43%
  • Departamento e vestuário: 42%
  • Restaurantes: 42%
  • Postos de gasolina: 38%
  • Feira, padaria, açougue: 32%

Para Nóbrega, essa associação com oportunidade de uso está mais relacionada ao tempo de espera na fila do que com a substituição do cartão de crédito ou débito pelo Pix. “Como o consumidor associa o Pix ao pagamento rápido, ele entende que o novo pagamento vai ajudar a reduzir o tempo de espera nesses locais, que enxerga como mais demorados.”

Como será a adesão? Nóbrega diz que a jornada do Pix no varejo físico será totalmente diferente da compra online. “No varejo físico, o lojista não costuma diferenciar preço e dar desconto de acordo com o meio de pagamento utilizado. No e-commerce, há essa possibilidade de desconto, até mesmo para incentivar a substituição do boleto pelo Pix.”

Na loja física, segundo ele, o que vai incentivar a adesão ao Pix entre os consumidores é a conveniência e agilidade. “Imagina uma conta de restaurante que vai ser rachada entre 10 pessoas. Elas passam mais tempo pagando do que comendo, pois o garçom tem que passar cartão por cartão na maquininha. Com o Pix, dá para todos pagarem ao mesmo tempo.”

O que esses dados mostram? Que ainda há muito espaço para ensinar a população a usar o Pix. De acordo com a pesquisa, 60% dos entrevistados gostam de usar novas tecnologias em serviços bancários ou formas de pagamento.

Questionados sobre medidas educativas sobre a utilização do Pix, 81% concordaram que seria interessante ter um canal aberto para tirar dúvidas consumidor e 77% acham que as marcas poderiam ajudar a esclarecer o assunto.

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