A inflação em alta e a piora do cenário fiscal brasileiro fizeram as instituições financeiras aumentarem suas apostas de alta para nova a Selic, que será anunciada pelo Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central nesta quarta-feira (27). Das 11 instituições consultadas pelo 6 Minutos, oito consideram que o aperto será de 1,5 ponto percentual, elevando a taxa de 6,25% para 7,75% ao ano.

Esta é a projeção do BTG Pactual, Credit Suisse, UBS BB, Itaú, JP Morgan, Santander e XP. Guide Investimentos e Necton Investimentos também revisaram a projeção para cima, mas esperam um ajuste de 1,25 ponto percentual, com a Selic a 7,5% ao ano.

Há ainda quem espere que a alta desta quarta seja de 2 a 3 pontos percentuais. Até esta terça, a Asa Investiments esperava que o Copom elevasse a Selic em 1,5 ponto percentual, mas endureceu a aposta para 2 pontos, a 8,25% ao ano, com o aumento do risco fiscal.

“Estamos vendo uma inflação bastante elevada e isso força o Banco Central a fazer uma política monetária mais restritiva”, afirma Joelson Sampaio, da Escola de Economia de São Paulo da FGV (Fundação Getulio Vargas).

E a Genial Investimentos, no fim da terça- subiu sua aposta para 3 pontos.

InstituiçãoProjeção para outubroProjeção para dezembro
Asa Investiments8,25%10,25%
BTG Pactual7,75%9,25%
Credit Suisse7,75%9,25%
Genial Investimentos9,25%10,25%
Guide Investimentos7,5%8,75%
Itaú7,75%9,25%
Necton7,5%8,5%
JP Morgan7,75%9,25%
Santander7,75%9,25%
UBS BB7,75%9,25%
XP7,75%9,25%

O Itaú revisou a projeção nesta semana, considerando um aperto de 1,5 ponto percentual. “O aumento do risco fiscal adiciona mais incertezas ao cenário brasileiro, causa mais depreciação no real, piora a inflação e, consequentemente, provoca um aumento na taxa de juros. Considerando todos esses fatores, acreditamos que o Copom deve entrar em um modo de controle de danos, elevando a Selic em 1,5 ponto percentual, para 7,75%”, afirma o banco em relatório.

O JP Morgan já havia revisado sua aposta na semana passada, aumentando de 1 para 1,25. No entanto, após o aumento da tensão fiscal, o banco fez um novo ajuste nesta segunda e espera que a Selic suba para 7,75% nesta reunião.

“O fracasso em restaurar a confiança sobre as perspectivas de política de médio prazo deve levar a uma resposta da política monetária mais agressiva por parte do Banco Central nesta semana”, afirmam Cassiana Fernandez, economista-chefe do banco no Brasil, e Vinicius Moreira, economista do banco, em relatório. Para os especialistas, existe um risco crescente do Banco Central perder o controle das expectativas de inflação.

O Credit Suisse fez uma nova revisão na projeção, de 1,25 para 1,5 ponto. Em relatório, o banco afirmou que o resultado da prévia da inflação “continua a mostrar dinâmicas muito desfavoráveis para a inflação, tanto quantitativamente quanto qualitativamente”.

A Necton, que também esperava um aumento de 1 ponto, alterou a projeção para 1,25. “Está suficientemente evidente que o Banco Central não terá muita opção a não ser subir mais a Selic nesta reunião, não 150 pontos como muito já falam, mas pelo menos 125 pontos”, afirma André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos.

A Asa Investiments é a casa com a projeção mais alta e espera que o Copom eleve a Selic em 2 pontos percentuais. “Se o BC estiver imbuído da missão de colocar (a inflação de) 2022 na meta, ou fizer tudo ao seu alcance, acho que os juros não ficarão mais nos níveis que prevíamos até a semana passada, em torno de 10,5%. Provavelmente será um nível próximo de 12%, com alta de 200 pontos na reunião de amanhã”, disse Carlos Kawall, diretor da Asa Investiments e ex-secretário do Tesouro Nacional, em evento realizado pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

Por que o risco fiscal piorou? Na semana passada, o ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu mudanças no teto de gastos para bancar o Auxílio Brasil. Na sequência, vários secretários da pasta pediram demissão e o presidente Jair Bolsonaro anunciou um benefício de R$ 400 que deve ser pago a 750 mil caminhoneiros para compensar a alta do diesel, notícias que desagradaram os investidores.

Para o final do ano, Sampaio, da FGV, considera que a Selic pode chegar aos dois dígitos, na casa dos 10%. “A saída dos secretários na semana passada e o risco fiscal podem aumentar a volatilidade do mercado, fazendo a bolsa cair e o dólar subir, o que pressiona ainda mais a inflação. Nesse cenário, o BC pode ter que agir de forma ainda mais forte em dezembro”, afirma.

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