A pressão internacional ao Brasil sobre a crise de desmatamento na Amazônia se intensificou nesta sexta-feira, às vésperas da reunião do G7, grupo dos países mais ricos do mundo. O assunto é capa dos principais jornais do mundo e novos governos manifestaram preocupação com o assunto, com impactos ambientais e econômicos sobre o Brasil.

Enquanto isso, autoridades brasileiras ensaiam as primeiras medidas concretas em reação. O presidente Jair Bolsonaro convocou ministros a atuarem contra incêndios. Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), falou em utilizar R$ 1 bilhão de recursos recuperados pela Operação Lava Jato para financiar a preservação ambiental da floresta.

Imagem registrada no dia 17 de agosto de 2019 mostra um incêndio de grandes proporções na região de cerrado do município de Palmeiropólis, no Tocantins.
Crédito: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

O que aconteceu nas últimas horas?

  • O presidente da França, Emmanuel Macron, dobrou aposta após ter sido chamado de “sensacionalista” e “colonialista” pelo presidente Jair Bolsonaro. E deu o tom: Seu país vai se opor ao acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia em decorrência da posição brasileira.
  • Nem um pouco conhecido como ambientalista, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, se manifestou. Ele também disse se tratar de uma “crise internacional”. “Nós estamos prontos para providenciar qualquer ajuda que pudermos para que a situação fique sob controle e ajude a proteger uma das principais maravilhas da Terra”, escreveu, em sua conta no Twitter.
  • Na reunião do G7, Bolsonaro pode não ter o apoio nem de seu aliado favorito, os Estados Unidos. Segundo a jornalista Raquel Krähenbühl, da GloboNews, uma autoridade do governo americano afirmou que a administração Trump está “profundamente preocupada com o impacto dos incêndios na floresta”.

Que dinheiro é esse que Maia quer utilizar? Ao longo dos cinco anos de operação, a força-tarefa da Lava Jato arrecadou R$ 2,5 bilhões, oriundos de multas inseridas em acordos de colaboração e recursos repatriados de condenados na operação. Inicialmente, o procurador Deltan Dallagnol, que coordena a operação, gostaria de criar uma fundação, gerida pela força-tarefa, para o combate à corrupção.

Essa primeira intenção acabou vetada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que entendeu que a responsabilidade de definir o destino dos recursos não era do Ministério Público.

Como seria o uso do dinheiro? Pela proposta apresentada por Rodrigo Maia ao STF, R$ 200 milhões iriam para o caixa do Ministério do Meio Ambiente, para reestabelecer serviços parados por falta de verba. Os outros R$ 800 milhões seriam divididos entre a União e os estados para políticas de combate às queimadas.

O que o STF disse a respeito? Designado relator, o ministro Alexandre de Moraes intimou o governo federal, através do Ministério da Economia e da AGU (Advocacia-Geral da União) a se manifestar sobre a proposta. Moraes também quer o parecer da procuradora-geral da República, Raquel Dodge. O prazo é de 48 horas.

A preocupação é só com o meio ambiente? Não, há fatores ambientais sim, mas também políticos e econômicos, de ambas as partes. A crise ambiental é grave para o Brasil, uma vez que prejudica a credibilidade do país para fechar negócios internacionais. Apenas o acordo UE-Mercosul, ameaçado por Macron, poderia representar um ganho de R$ 500 bilhões para o PIB brasileiro nos próximos dez anos. Além disso, a União Europeia já compra mais de US$ 5 bilhões por ano de soja brasileira e o agronegócio teme a redução dessa demanda.

E do lado europeu? Ainda que Macron seja uma das lideranças mundiais que mais prezam pela sustentabilidade, o agronegócio francês perde em competitividade para o brasileiro. Esse “risco” para a economia francesa foi, inclusive, um dos empecilhos para a conclusão do acordo Mercosul-União Europeia. Macron está usando uma prática protecionista comum, alegando repúdio aos incêndios na Amazônia, que são verídicos e graves, para adiar a ratificação do acordo e, assim, diminuir o estresse com a classe agropecuária francesa.

É importante citar que as mudanças na temperatura global e as metas do Acordo de Paris (para reduzir a emissão de gases de efeito estufa) também estão em pauta em todo o mundo e que um desvio de comportamento do Brasil se torna um prato cheio para governos que querem defender suas economias em desaceleração.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu WhatsApp? É só entrar no grupo pelo link: https://6minutos.uol.com.br/whatsapp.