A sociedade não pode mais virar as costas para as questões ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês), que vem se tornando cruciais para o futuro de empresas de diferentes segmentos, incluindo os bancos. Essa foi a avaliação feita por presidentes das maiores instituições financeiras na abertura do Ciab Febraban 2021 na manhã desta terça-feira (dia 22), maior evento de tecnologia e inovação do setor.

O presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, lembrou que a pandemia de coronavírus impulsionou ainda mais essa agenda. “Há quatro anos essa temática está nos fóruns de discussões dos líderes mundiais”, afirmou. “A pandemia foi um acelerador e jogou holofotes sobre esse tema. A sociedade em geral não pode mais virar as costas para isso”.

De acordo com o executivo, os bancos precisam mirar também na formação de novos líderes, que tenham essas preocupações em mente. “Temos que dar o nosso melhor para que essa não seja apenas uma pauta constante, mas que esteja no mindset dos nossos líderes”, disse. “Tem que ser um compromisso da sociedade brasileira, do governo, para que possamos de fato ter um mundo melhor e deixar o mundo melhor”.

“Sentindo na pele”

Para Fausto de Andrade Ribeiro, presidente do Banco do Brasil, ainda há muito a ser feito.

“Os jovens escolhem aquilo que vão comprar, levando em consideração a linha adotada pelas empresas. As experiências internacionais mostram que os bancos estão sentindo muito na pele essa tendência. Nós, administradores de instituições financeiras, devemos nos preocupar com a formação de líderes com essa preocupação”.

Na avaliação do executivo do BB, investir na agenda ESG não é apenas questão de “lucro momentâneo”. “É uma questão de futuro das nossas empresas, não só de lucro momentâneo”.

O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, afirmou que os bancos devem investir em microcrédito para as famílias e empresas localizadas próximas às áreas de floresta.

“Podemos colocar o dinheiro que for para proteger as florestas, mas se não botarmos microcrédito, não adianta nada. Devemos focar na preservação direta das florestas, mas envolvendo microcrédito às comunidades”.

Matriz energética

Para o presidente do Santander, Sergio Rial, o Brasil precisa encarar seus desafios em geração de energia, já que há poucos avanços nas matrizes eólica e solar.

“Temos avanços, mas ainda dependemos das hidrelétricas”, afirmou. “A Europa não tem esse benefício do hídrico”.

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