Por Shadia Nasralla

LONDRES (Reuters) – Os preços do petróleo atingiram um novo recorde de três anos nesta sexta-feira, subindo acima de US$ 85, com previsões de um déficit de oferta para os próximos meses, em meio a disparada nas cotações do gás e do carvão que deve direcionar a demanda aos derivados de petróleo.

Os futuros do Brent subiam US$ 0,82, ou 0,98%, a US$ 84,82 o barril às 10:30 (horário de Brasília). Os contratos do primeiro vencimento, que mais cedo atingiram seu pico desde outubro de 2018 em US$ 85,10, devem subir pela sexta semana consecutiva, caminhando para um aumento semanal de 3%.

O petróleo dos EUA (WTI) avançou US$ 0,81, ou 1%, para US$ 82,12 por barril. O contrato caminha para ganho de 3,5% na semana, oitava alta semanal consecutiva.

Analistas apontaram para uma queda acentuada nos estoques de petróleo da OCDE para seu nível mais baixo desde 2015.

A demanda aumentou com a recuperação da pandemia de Covid-19, e teve um impulso adicional vindo da indústria se afastando do gás e carvão, produtos que estão em patamares considerados caros, e indo para o óleo combustível e diesel para energia.

“O fato de os mercados asiáticos se contentarem em perseguir preços mais altos em altas semanais, em vez de se esconderem em quedas de preços, é um forte sinal de que a demanda por energia continua robusta”, disse o analista sênior da OANDA, Jeffrey Halley, em nota.

A Agência Internacional de Energia (AIE) disse na quinta-feira que a crise energética deve aumentar a demanda por petróleo em 500.000 barris por dia (bpd).

Isso resultaria em um déficit de oferta de cerca de 700 mil bpd até o final deste ano, até que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados, juntos chamados de Opep+, acrescentassem mais oferta, conforme planejado em janeiro.

(Reportagem adicional de Sonali Paul em Melbourne e Florence Tan em Cingapura)

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).