O preço da arroba do boi gordo recua nos primeiros dias de dezembro, em meio à  busca dos consumidores por opções de carne mais barata, informou o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

De quanto tem sido a queda no preço? Na segunda-feira (2), o preço da arroba caiu 1,53%, após máxima histórica de R$ 231,35 na última sexta-feira. Na terça (3), um recuo de 3,67% baixou o preço do boi para R$ 219,45 a arroba, segundo indicador Esalq/B3, apurado pelo Cepea.

Qual a explicação? A alta brusca do preço do boi e da carne assustou o consumidor interno, que foi atrás de proteínas mais baratas. “Realmente há um efeito da demanda e da renda também”, explicou o analista do Cepea, Thiago de Carvalho.

O efeito da alta é igual pra todo mundo? Não. Carvalho lembrou que o preço alto do boi reduz margem para o frigorífico e para o varejo. A carne da classe A e B continua com margem, mas a classe C e D quer preço, e essa alta assusta. “Tem dono de lanchonete que cogita tirar o coxão mole do cardápio”, afirmou.

O que diz o governo? Para a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que chegou a dizer que o preço da carne não voltaria ao mesmo patamar tão cedo, o mercado de boi gordo já apresenta sinais de redução após máximas históricas recentes e deve se normalizar em breve para o consumidor. “Tivemos uma conjuntura de seca, falta de pasto e abertura de mercados, mas agora o preço da carne deve se estabilizar”, disse. Segundo ela, não vai faltar carne bovina na mesa do brasileiro.

Por que o preço da carne vermelha está alto? Os produtos brasileiros estão exportando muita carne para a China,  que decidiu pagar um bom preço pela proteína após a grupe suína na África reduzir 40% a oferta dessa carne para o país asiático.

Como estão as exportações? No acumulado de 2019 até novembro, o Brasil teve exportações de quase 1,7 milhão de toneladas, alta de 13% ante mesmo período do ano passado, de acordo com dados do governo citados pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). Para 2020, segundo a Rabobank, a produção deve avançar para 10,45 milhões de toneladas, ante 10,1 milhões de toneladas em 2019, enquanto as exportações da proteína tendem a crescer em 10,6%, para 2,39 milhões de toneladas.

(Com Reuters)

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