Um levantamento feito pelo Banco Central nos dados de portabilidade de crédito imobiliário no ano passado mostra que essa transferência de financiamento entre bancos, que é permitida desde 2013, atingiu 6.000 operações no ano passado, totalizando R$ 2,15 bilhões, uma expansão de 200% na comparação com 2018.

O estudo do BC, que foi divulgado nesta terça-feira (dia 2), mostra ainda que, em média, os  financiamentos portados conseguiram um desconto de 2,99 pontos percentuais na taxa de juros.

O que é essa modalidade? A portabilidade permite que o cliente que possui um financiamento imobiliário em determinada instituição financeira busque uma taxa melhor em outros bancos. Se negociar melhores condições, por portar seu crédito para essa outra instituição.

Por que houve esse crescimento na portabilidade? Desde o ano passado, com a intensificação da queda na taxa básica de juros, a Selic, houve uma onda de reduções nas taxas do crédito imobiliário.

Os novos juros se tornaram muito distantes dos praticados no período entre o segundo semestre de 2015 e o primeiro de 2017, período caracterizado por juros elevados.

A maior parte dos contratos que foram portados (79%), segundo o BC, foram assinados nesse período.

Quanto se pode economizar com a portabilidade de crédito? A economia pode ser significativa, como mostra o levantamento do BC.

Um exemplo dado no estudo é de um contrato de R$300 mil de crédito imobiliário com uma taxa de juros de 10% ao ano e duração de 30 anos. Se esse financiamento for portado a uma taxa de 9% ao ano, a economia seria superior a R$40 mil no total a ser desembolsado.

A portabilidade é representativa em relação ao total do crédito imobiliário? Não, segundo o BC, a essa possibilidade ainda atinge uma pequena fração do potencial. A autoridade monetária estima que há potencial grande de transferência para pelo menos 570 mil operações (R$ 102,8 bilhões) que foram fechadas lá atrás com taxas de juros acima de 10%.

Qual o caminho para pedir a portabilidade?

O cliente deve pedir ao banco um extrato do saldo devedor do seu financiamento, prestações e também do custo efetivo total do financiamento. Depois, deve procurar outras instituições financeiras em busca de uma oferta melhor.

Depois da aprovação do crédito, as instituições pedem o saldo devedor para o outro banco, que tem até 10 dias para passar essa informação.

A portabilidade sempre vale a pena? Não. Além da taxa de juros, há outras despesas que acabam incidindo sobre o valor que você paga todos os meses, como o custo da conta bancária que você terá que abrir e os seguros obrigatórios a serem pagos, por morte e invalidez permanente, que são incluídos no financiamento imobiliário.

A dica é: peça ao banco atual e para aquele para o qual você avalia migrar o crédito o valor do CET (Custo Efetivo Total) das operações. As instituições financeiras são obrigadas a te fornecer esse valor por uma resolução do Banco Central.

O que mais devo ter em mente na hora de pesquisar a portabilidade? É importante ter em mente que há custos nessa migração: o simples ato de migrar o financiamento pode custar entre R$ 3 mil e R$ 4 mil: entre as despesas envolvidas, estão custos de cartório (para mudar o imóvel do nome de um banco par ao outro) e a avaliação do valor da propriedade por um perito.

Neste último caso, a tendência é que essa despesa se torne cada vez menos frequente, já que o BC autorizou, no final de 2019, que essa vistoria seja realizada através de modelos estatísticos.

 

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