O setor de serviços avançou apenas 0,7% no segundo trimestre em relação ao trimestre anterior. É muito pouco se considerar que ele representa 73% do PIB e foi um dos mais prejudicados pela pandemia de coronavírus.

“O setor de serviços ainda não decolou e, sem ele, não haverá crescimento sustentado e geração forte de empregos. É um sinal preocupante por vir casado com o crescimento da inflação, e a consequente necessidade de subida de juros pelo Banco Central”, afirma Reginaldo Nogueira, diretor-geral do Ibmec São Paulo e Brasília.

Mas não foi só o setor de serviços que andou de lado. O consumo das famílias ficou estável e agronegócio e indústria registraram queda. O PIB (Produto Interno Bruto) encolheu 0,1% no segundo trimestre, de acordo com os dados divulgados nesta quarta-feira (1º) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Mas, afinal, por que o setor de serviços não decolou?

Uma das justificativas é de que as restrições para o funcionamento do setor ainda eram fortes no segundo trimestre. Em abril, maio e junho, diversas cidades brasileiras ainda enfrentavam medidas mais restritivas de isolamento para conter o avanço da covid e a vacinação estava ganhando ritmo, com muitos brasileiros ainda na fila para tomar a primeira dose da vacina. Para os especialistas, isto explica o fato do PIB de serviços ter avançado apenas 0,7%.

“Naquela ocasião, ainda havia um comércio em recuperação. A retomada mais forte de fato aconteceu em julho e agosto, o que deve aparecer apenas no PIB do terceiro trimestre”, afirma Fábio Astraukas, economista e professor do Insper.

E por que o consumo não cresceu?

O consumo das famílias ficou estável, principalmente por causa do alto desemprego e do aumento da inflação, variáveis que freiam o consumo dos brasileiros.

Com o fim das medidas de restrições em muitos estados, Astraukas considera que os serviços devem ter uma recuperação mais forte no segundo semestre. “Para os serviços, o que poderia atrapalhar, seria nós enfrentarmos uma terceira onda da pandemia ou a volta restrições, mas esse cenário parece pouco provável. Eu acho que esse segundo semestre será bastante positivo para o setor”, afirma.

“Quem olhar o número de hoje não precisa se assustar achando que a economia está dando passos para trás. Mas é preciso ficar atento, porque o governo tem muito trabalho pela frente, até que a atividade econômica retome ao nível pré-pandemia. Não é um momento de relaxamento e nem de pânico. O número negativo é um reflexo momentâneo, mas não significa que estamos em uma rota de crescimento sustentável”, afirma Fábio Astraukas, economista e professor do Insper.

O que esperar daqui para a frente?

Com o fim das medidas de restrições em muitos estados, Astraukas considera que os serviços devem ter uma recuperação mais forte no segundo semestre. “Para os serviços, o que poderia atrapalhar, seria nós enfrentarmos uma terceira onda da pandemia ou a volta das restrições, mas esse cenário parece pouco provável. Eu acho que esse segundo semestre será bastante positivo para o setor”, afirma.

Para Paloma Brum, analista da Toro Investimentos, a inflação em alta vai ser decisiva para determinar os investimentos no país e o consumo das famílias. “Sob a ótica da despesa, a alta na Selic tende a causar contração nos investimentos e no consumo das famílias, enquanto a inflação e a crise hídrica também podem afetar o desempenho da atividade nos próximos trimestres deste ano, pesando negativamente sobre o resultado do PIB nestes períodos”, afirma Brum.

Agronegócio e indústria em queda

O agronegócio caiu 2,8% e a indústria, 0,2%. “Tivemos geadas e secas que estão se estendendo. A crise hídrica atual é fruto de um movimento de clima que está vindo desde o começo do ano. No caso da indústria, alguns setores tiveram dificuldade por falta de matéria-prima e pelo aumento dos preços das commodities”, afirma Astraukas.

Um dos setores industriais prejudicados pela crise, citado pelo IBGE, foi o de montadoras. Por causa da falta de semicondutores, as montadoras estão com dificuldades para produzir carros zero quilômetro – a demanda dos consumidores é grande, mas a oferta não está conseguindo acompanhar.

Investimentos

Para André Perfeito, economista da Necton, o investimento do governo veio fraco neste trimestre, com queda de 3,6%.

“Os dados do 2º trimestre mostram uma queda nos estoques o que explica em parte o fraco resultado da FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo) e da frustração com a retomada. Outro fator que pode explicar o mal resultado é que nos trimestres anteriores foi reportado grandes investimentos em plataformas, o que gera um grande influxo de investimento de uma vez só ‘sujando’ a série”, afirma

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