A maior adesão ao trabalho remoto diminuiu o número de refeições que fazemos fora do lar. Somado a isso, a quarentena tem restringido o número de saídas de casa, o que reforçou os hábitos de compra de alimentos e refeições pela internet — em aplicativos ou sites. Apesar de todas essas mudanças, os cartões-benefício (popularmente conhecidos como vale-refeição e vale-alimentação) continuam tendo baixa aceitação em estabelecimentos online.

Por que é tão difícil usar meu VR ou VA para pagar uma compra online? Os restaurantes precisaram se adaptar durante a quarentena para reforçar o delivery. Impedidos de manter os salões abertos, quem não levou seu produto até o cliente foi obrigado a fechar as portas. A questão é que o serviço de entrega de comida está concentrado em plataformas de delivery, como iFood, Rappi e Uber Eats.

“Esses aplicativos já vinham ganhando bastante relevância e a crise trouxe mais oportunidade para isso”, diz Marcio Alencar, diretor da Alelo, gestora de cartões-benefício. Ele explica que além de serem responsáveis pela entrega, essas empresas funcionam como intermediadoras financeiras, fazendo a cobrança dos clientes e o pagamento para os estabelecimentos (supermercados, restaurantes e outros). Mas no caso dos cartões-benefício, essa relação é diferente.

E como funcionam os pagamentos com os cartões-benefício? Alencar, da Alelo, explica que, por lei, a responsabilidade da liquidação de pagamento é das empresas que administram os cartões. Ou seja, os aplicativos de delivery não podem fazer a compensação dos valores para os estabelecimentos, como acontece quando o pagamento é feito com cartão de crédito.

Isso cria duas barreiras. A primeira é de tecnologia: empresas como a Alelo, Ticket e Sodexo precisam criar sistemas de pagamento especiais para serem usados nos aplicativos. As gestoras das plataformas de delivery continuam fazendo a intermediação de informações (avisando ao restaurante que a operação foi aprovada pela administradora do cartão), mas elas não transacionam esses valores.

A segunda barreira é a lenta expansão da forma de pagamento. A maioria dos estabelecimentos aceita os cartões-benefício nas vendas físicas. Então por que é tão difícil habilitá-los nos aplicativos? A resposta está na adesão de cada restaurante, que não é automática.

“Mesmo estando em uma plataforma que tem a opção de uso de VR ou VA, a decisão de aderir ou não é do próprio estabelecimento. Mas o número de parceiros credenciados está crescendo a cada dia, porque a pandemia aumentou a necessidade de adaptação ao e-commerce para continuar vendendo”, diz o diretor da Alelo.

Na Ticket, outra grande gestora de cartões-benefício, o número de pagamentos com os vales-refeição e alimentação nas plataformas de delivery foi mais de 4 vezes maior que o registrado no primeiro trimestre de 2019. “Temos investido muito em digitalização. Durante o isolamento social  intensificamos e aceleramos nossas estratégias de pagamento online, a fim de entregar soluções que atendam às necessidades de nossos diferentes públicos”, disse Felipe Gomes, diretor-geral da Ticket.

Como saber onde meu cartão é aceito? O pagamento online com os cartões Alelo está habilitado em mais de 20 mil estabelecimentos em todo o Brasil. “Quando a quarentena começou, percebemos a necessidade de habilitar nossos cartões para pagamentos. Colocamos de pé a operação pelo iFood e Rappi em menos de um mês, e devemos concluir a parceria com o Uber Eats em breve”, conta Alencar, da Alelo.

Ele diz que o vale-alimentação e o vale-refeição da empresa são aceitos em mais de 700 mil pontos físicos e que cerca de 75 mil desses estabelecimentos já trabalham com o delivery em algum aplicativo ou plataforma, o que aponta para um espaço grande de crescimento para o credenciamento de novos parceiros.

A Ticket não diz quantos estabelecimentos aceitam o pagamento com seus cartões, mas diz que já tem uma parceria com o Uber Eats que permite que todos os estabelecimentos da base do aplicativo estejam aptos para esse tipo de quitação. “A partir deste mês ampliamos nossa parceria com a Rappi, que passou a ser válida para todo o território nacional. Também estamos em processo final de formalização de outras parcerias”, afirma Gomes, da Ticket.

A empresa habilitou uma ferramenta para que os beneficiários dos cartões possam pesquisar quais estabelecimentos aceitam os cartões — inclusive no delivery. A consulta pode ser feita pelo site https://www.ticket.com.br/portal-usuario/ticket-em-casa/ ou pelo aplicativo da Ticket.

Quais informações preciso preencher para cadastrar o pagamento por VR e VA? Esse processo muda, de acordo com cada operadora de cartão. No caso da Alelo, o cadastro do vale-refeição e alimentação é bem parecido com o do cartão de crédito: o usuário preenche o número do cartão, o código de segurança e a data de validade.

Já no caso da Ticket, antes de inserir as informações do cartão no aplicativo de delivery os usuários devem fazer um cadastro no site ou aplicativo da empresa. Só com esse cadastro e o endereço de e-mail será possível habilitar o pagamento com o vale-refeição ou alimentação.

E quanto às fraudes? Alencar, diretor da Alelo, explica que as empresas precisam trabalhar com os marketplaces para mitigar as tentativas de fraude usando os cartões. Ele diz que os dispositivos de verificação são bem parecidos com os dos cartões de crédito, e que as novas tecnologias têm auxiliado nessa checagem de cada operação.

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