Já imaginou calcular a atividade econômica de um país em tempo real a partir das buscas que as pessoas fazem no Google?

Apesar de a ideia parecer estranha, esse é um dos indicadores levados em conta pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) na hora de projetar o comportamento do PIB (Produto Interno Bruto) de uma série de países, incluindo o Brasil.

O cálculo da entidade é feito a partir de informações do Google Trends, ferramenta do buscador que permite saber os termos mais populares pesquisados no passado recente. Através de machine learning (aprendizado automático através do reconhecimento de padrões e de inteligência artificial), a ferramenta acompanha buscas sobre consumo, mercado de trabalho, mercado imobiliário, indústria e confiança, entre muitos outros aspectos que podem afetar a economia.

Esses dados servem para estimar a atividade econômica de um país em uma determinada semana em comparação com o mesmo período do ano anterior, formando o indicador batizado de OECD Weekly Tracker of GDP (algo como Rastreador Semanal de PIB da OCDE).

“O rastreador é particularmente adequado para monitorar a atividade durante o período turbulento atual de pandemia global”, afirma a organização em sua página na internet. “Provê uma estimativa de taxa semanal de crescimento interanual do PIB”. “Usa um modelo de aprendizado automático para informações do Google Trends de 46 países, agregando informação sobre comportamento de buscas relacionadas a consumo, mercados de trabalho, mercado imobiliário, comércio, atividade industrial e incerteza da economia”.

Brasil em queda em janeiro

O Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) foi uma das primeiras entidades do Brasil a acompanhar o novo indicador. Como explica Rafael Cagnin, economist- chefe do instituto, esse rastreador de atividade não é a medida oficial da OCDE para projetar o PIB de diferentes países, mas é levado em conta como uma referência do que está acontecendo.

“É um indicador de alta frequência que guarda uma boa correlação com os dados passados de atividade”, afirma.

O rastreador aponta para uma queda na atividade econômica brasileira nas primeiras semanas de janeiro. Entre os dias 17 e 23 deste mês, por exemplo, último dado disponível, o recuo seria de 0,3%. “Por esse indicador, as preocupações com o fim abrupto do auxílio emergencial e com a segunda onda de coronavírus, ou seja, o risco de perda de dinamismo da nossa economia, já estariam sendo comprovadas”, diz o economista.

Veja os dados para o Brasil apresentados no rastreador semanal de atividade da OCDE (Reprodução)

 

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