O prato tradicional do brasileiro é composto por arroz, feijão, legumes, verduras e uma proteína. Por conta da pandemia, o preço desses itens disparou nos últimos meses. O saco de cinco quilos de arroz, por exemplo, subiu de R$ 15 para R$ 25. Mas como ficou o custo final do prato feito de todo dia da população. Levantamento da consultoria GfK obtido em primeira mão pelo 6 Minutos mostra que o preço varia de acordo com a proteína utilizada na sua composição.

Como assim? O prato mais caro, obviamente, é o que utiliza carne de primeira. Nesse caso, o custo individual subiu de R$ 6,87 em fevereiro (antes da pandemia) para R$ 7,13 em agosto, uma alta de 3,8%. Para chegar a esse valor, o estudo considera um prato composto por arroz (100g), feijão (50g), carne (150g), tomate (75g), ovo (1 unidade) e batata (100g).

Pode parecer pouco, mas é preciso considerar que é esse é o valor do custo de cada refeição. Multiplique isso pelo número de pessoas da casa e pelo número de dias do mês e o valor pode ser assustador. No caso de uma família de três pessoas, que faz duas refeições como essa por dia, 30 dias por mês, o custo chega a R$ 1.283,40.

O que chama atenção, segundo Fernando Baialuna, diretor de varejo da GfK, é que a maior alta foi a da carne de segunda. Com esse tipo de proteína, o prato feito passou de R$ 5,10 para R$ 5,70 de fevereiro para agosto, um avanço de 11,76%.

Quais são as alternativas? O estudo da GfK mostra que o prato feito fica mais barato quando o consumidor substitui a carne bovina pernil ou frango. Com pernil, subiu de R$ 4,08 para R$ 4,37, aumento de 7,1%. Com o frango, passou de R$ 3,02 para R$ 3,09%, avanço de 2,2%.

“É hora de o consumidor pensar em substituições. A carne de frango e de porco vão entregar um valor proteico tão bom ou melhor que o da carne de segunda e próximo da carne de primeira”, afirma Baialuna.

Há ainda uma opção mais econômica: substituir a carne pelo ovo (o preço do prato passa para R$ 2,01, um amento de 4,4% em relação a fevereiro).

 FevereiroAgosto
Carne de primeiraR$ 6,87R$ 7,13
Carne de segundaR$ 5,10R$ 5,70
PernilR$ 4,08R$ 4,37
FrangoR$ 3,02R$ 3,09
OvoR$ 1,93R$ 2,01

O que vem puxando essas altas? Baialuna diz que o aumento dos itens que compõem a cesta básica tem sido impulsionado por quatro fatores:

  • Mudança de comportamento: com a pandemia, o consumidor passou a cozinhar mais em casa, isso pressionou os preços
  • Alta da demanda internacional: o Brasil passou a exportar mais esses itens, tendo a China com a maior compradora.
  • Auxílio emergencial: a injeção do auxílio colocou mais dinheiro na economia, aumentando a demanda por esses produtos
  • Alta do dólar: como muitos desses produtos são cotados em dólar, os preços internos foram pressionados.

Qual a saída para o varejo? Nesse momento de alta de preços, os supermercados são pressionados pelo governo a abrir mão de margem de lucro para segurar a inflação. Para Baialuna, o supermercado tem que mostrar que está ao lado do consumidor. De que forma? “Precisa otimizar o sortimento de arroz, feijão. Utilizar a marca própria para balizar o preço. A estratégia é oferecer alternativas mais baratas para o cliente.”

Ele também sugere que o varejo faça um intenso trabalho de comunicação junto ao consumidor. “Tem que mostrar quais são as alternativas para as maiores altas, mostrar que existem produtos tão bons quanto a carne bovina com preço menor.”

arroz e feijão

Custo com prato feito passa de R$ 1.000 nas famílias/Crédito: Shutterstock

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