RIO DE JANEIRO (Reuters) – A nova gestão da Petrobras manteve a maneira de gerenciar ajustes de preços do combustíveis e busca praticar valores em níveis competitivos, evitando repassar volatilidade internacional ao mercado interno, disse nesta sexta-feira o diretor-executivo de Comercialização e Logística, diretor Cláudio Mastella.

O diretor ressaltou ainda ser “muito importante” que não haja data marcada para que os reajustes sejam realizados e que a companhia busca um meio termo na frequência de alterações de valores em relação às praticadas nos últimos anos, sem detalhar.

“A gente tem praticado nos últimos anos diversas abordagens de frequência de precificação, desde baixíssima frequência, até altíssima frequência –diária inclusive. Hoje a gente está em um nível intermediário, o que nos parece adequado”, afirmou Mastella, em conferência com analistas e investidores.

“Na prática, não repassar imediatamente oscilações do mercado externo ou do câmbio para o consumidor interno, e ao mesmo tempo manter os nossos preços em nível competitivo com os nossos competidores.”

Uma forte elevação dos preços dos combustíveis neste ano pela estatal, na esteira da alta do petróleo no mercado internacional, foi o que resultou na decisão do presidente Jair Bolsonaro de trocar Roberto Castello Branco por Joaquim Silva e Luna, que tomou posse em 19 abril na presidência da estatal.

Desde então, a companhia realizou apenas um reajuste de preços, em 30 de abril. Antes disso, neste ano, a Petrobras reajustou preços duas vezes em janeiro, duas vezes em fevereiro, quatro vezes em março e outras duas vezes em abril.

“Não vejo necessidade hoje de uma alteração nessa frequência, é muito importante para a gente que não seja com data marcada…, mas é muito importante que ela mantenha um alinhamento suficiente para que nosso produto continue seguindo competitivo em um mercado cada vez mais competitivo.”

O tema da política de preços da Petrobras tradicionalmente traz bastante polêmica nas discussões sobre Petrobras, uma vez que tem grande potencial para impactar nos resultados da empresa e também na inflação do país.

O presidente Luna não participou da conferência com analistas e apenas gravou um vídeo de cerca de sete minutos, onde apresentou um discurso de continuidade em relação ao que vinha sendo executado na companhia, em um aceno para o mercado financeiro.

DESINVESTIMENTOS

Durante a conferência, o diretor-executivo Financeiro e de Relacionamento com Investidores, Rodrigo Araujo, ressaltou que o atual plano estratégico da companhia é sólido, com diretrizes consistentes, e que o time busca acelerar a sua execução.

“Nossa proposta é manter o foco em geração de valor e alocação eficiente de capital, essa é nosso grande direcionamento”, afirmou.

“Anualmente, a gente tem nosso processo de revisão do plano estratégico, a gente não tem nenhuma perspectiva de mudança nos nossos pilares fundamentais, especialmente na questão de gestão de portfólio.”

Araujo destacou que não houve alteração em ofertas de vendas de ativos e que as negociações de desinvestimentos ocorrem normalmente.

A Petrobras informou nesta sexta-feira que os desinvestimentos neste ano até 11 de maio somaram 2,5 bilhões de dólares, registrando ainda entrada de caixa das vendas de ativos de 472 milhões de dólares.

A principal venda de ativo fechada foi a refinaria Landulpho Alves (Rlam) e seus ativos logísticos associados, para a Mubadala Capital, por 1,65 bilhão de dólares.

(Por Marta Nogueira, Gram Slattery, Sabrina Valle)

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