A Argentina viveu uma segunda-feira de pânico no mercado local e no exterior, no dia seguinte às eleições primárias para a presidência do país. O peso argentino sofreu uma desvalorização de 20%, o que levou o dólar a ser negociado por 57,30 pesos no fechamento. Durante o dia, o dólar chegou a valer 60 pesos, mas caiu com leilões da moeda americana pelo banco central.

Na sexta-feira, o dólar era negociado a 45 pesos.

O principal índice de ações da Argentina, o Merval, caiu 35%. Algumas ADRs (ações) de empresas argentinas negociadas na Bolsa de Nova York recuaram perto de 60%.

Títulos emitidos pelo governo argentino sofreram desvalorização de cerca de 10%. O Banco Central argentino subiu a taxa de juros de referência no mercado, a Leliq, para 75% ao ano, dez pontos percentuais acima do que na sexta-feira.

Qual o contexto? A razão é o desempenho pior do que o esperado do atual presidente Mauricio Macri nas eleições primárias do país. Macri é considerado um candidato pró-mercado, uma vez que defende medidas de liberalização da economia. O candidato de oposição Alberto Fernández – cuja companheira de chapa é a ex-presidente Cristina Kirchner – dominou as eleições com uma margem de 15,5 pontos percentuais sobre Macri, maior do que a esperada.

O que isso significa para o jogo político do país vizinho? O resultado joga sérias dúvidas sobre as chances de reeleição de Macri para um segundo mandato em outubro, disseram analistas.

Painel exibe cotação do peso argentino: 60 pesos por dólar, muito acima do câmbio de 45 pesos por dólar na sexta
Crédito: Luisa Gonzalez/Reuters

Como isso impacta o mercado? Analistas do Bank of America Merrill Lynch disseram que a escala da vitória de Fernández foi muito mais extrema do que seu cenário “pessimista”. “Esperamos vendas significativas em ativos cambiais e forte pressão no ARS (peso argentino), com potencial desvalorização nas próximas semanas”, disseram em nota.

E o que diz o candidato de oposição? “Os mercados reagem mal quando percebem que foram enganados. Estamos vivendo uma economia fictícia e o governo não está dando respostas”, disse Fernández em entrevista a uma rádio nesta segunda-feira.

Como está a economia da Argentina? A Argentina está em recessão e com uma inflação de mais de 55% depois de mais de três anos de governo Macri. Mas, ainda assim, investidores veem a dupla Fernández/Kirchner como uma opção mais arriscada do que Macri, dado o histórico de medidas da ex-presidente argentina, como o tabelamento de preços e a manutenção da moratória da dívida externa.

 

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