A menos de um mês do início da segunda fase do open banking, que prevê que os grandes bancos passem a compartilhar informações dos seus clientes com outros players, as maiores instituições financeiras do país passaram a adotar um tom mais duro para criticar o que classificam como assimetria de regras com fintechs, varejo, corretoras e seguradoras.

Nesta terça-feira (dia 22), na abertura do Ciab Febraban 2021, maior evento de tecnologia e inovação do setor, os executivos que presidem os maiores bancos brasileiros (Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Caixa e Banco do Brasil) adotaram um discurso bastante parecido em relação ao tema: é necessário que a regulação seja ajustada para permitir condições iguais aos bancos já estabelecidos e outras instituições, como as startups do setor financeiro, varejistas que concedem crédito, corretoras e seguradoras, entre outros.

Nos últimos anos, o Banco Central vem promovendo uma agenda para estimular a concorrência e abrir o mercado para bancos digitais e fintechs, que resultaram em iniciativas como o Pix, novo sistema de pagamentos instantâneos e gratuitos, e o open banking, uma espécie de infraestrutura padronizada que permitirá conectar diferentes linguagens de programação de TI (tecnologia da informação) do sistema financeiro de forma simples e rápida.

No final do mês passado, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que a autoridade monetária pretende substituir o open banking pelo open finance, uma versão ampliada, que afetaria não somente os bancos, mas também outros modelos de negócios.

Esse modelo mais amplo foi elogiado pelos executivos. “Temos que ter um marco regulatório que permita a evolução desse processo competitivo, plural, fundamental para a sociedade brasileira, mas em bases muito mais homogêneas”, defendeu Sergio Rial, presidente do Santander. “Fico muito feliz que o BC adote um nome que é o open finance, abrir realmente tudo, desde a base de dados dos varejistas, das empresas de tecnologia e dos bancos também”.

O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, também falou na necessidade de compartilhamento de dados por outras indústrias. “Devemos de fato ampliar o conceito para que fique claro que não é exclusivamente bancos compartilhando seus dados. Os bancos também compartilharão, mas que haja compartilhamento de outras indústrias também, para que a gente empodere o consumidor, para que ele seja dono do seu dado”.

O tom foi bastante parecido com o adotado por Octavio de Lazari Júnior, presidente do Bradesco, no encontro.

“A competição é saudável, fomos os primeiros a apoiar o Pix”, afirmou. “O open finance está chegando agora e tem que ser de fato um open finance, não pode haver assimetrias regulatórias. Ao longo dos anos, todas essas instituições fizeram desenvolvimentos e investimentos vultuosos para chegar num estágio que temos hoje na economia brasileira, isso tem que ser respeitado. Isso é propriedade intelectual, propriedade industrial daquilo que os bancos, as instituições foram desenvolvendo ao longo do tempo”.

 

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).