Por Hugh Bronstein

BUENOS AIRES (Reuters) – A nova política da Argentina de limitar as exportações de carne para o restante desse ano irá prejudicar a produção, afirmaram pecuaristas em comunicado nesta quarta-feira que sinalizou tensões crescentes entre o setor agrícola e a gestão de centro-esquerda.

Medidas anunciadas na véspera e que incluem um teto nas exportações mensais de carne bovina à metade do nível médio do ano passado até agosto, têm como objetivo controlar a alta inflação doméstica de alimentos.

Porém os pecuaristas afirmam que limitar ou taxar as exportações não é uma forma eficaz de combater os preços mais altos nos supermercados locais.

“O discurso ideológico usado para argumentar a favor das medidas de conter os preços de carne é cheio de mentiras”, afirmou a Sociedade Rural de Tucuman e Salta em comunicado.

Uma das potências de grãos da América do Sul, a Argentina é a quinta maior exportadora de carne bovina e importante fornecedora para a China. Uma proibição quase total das exportações da proteína em maio aumentou as tensões com o setor agrícola e levou a protestos e paralisações de negociação.

Os preços de carne na Argentina, conhecida pelos churrascos de família e bifes suculentos, são um objeto sensível, especialmente com as eleições legislativas de meio de mandato se aproximando em novembro.

Nos 12 meses até abril, os preços da carne na Argentina dispararam de 60% a 70%, de acordo com informações oficias. Nos primeiros quatro meses de 2021, 28,8% das 965.286 toneladas de carne produzida na Argentina foi exportada, 76,6% deste volume foi para a China.

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