Pibinho. Foi assim que foi chamado o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de 2019, divulgado hoje pelo IBGE. A economia brasileira avançou 1,1% em 2019, engatando o terceiro ano de baixo crescimento. O raio-x do quarto trimestre mostra que nem mesmo a injeção de recursos do FGTS ajudou a salvar a economia. Entre outubro e dezembro, o PIB cresceu apenas 0,5%, confirmando uma leve desaceleração da economia em relação ao registrado no trimestre anterior.

Para 2020, ano que começa marcado pela sombra do coronavírus, as expectativas de crescimento do PIB já começam a ser revistas para baixo. A própria equipe econômica admitiu que vai cortar a projeção de crescimento de 2,4% para 2%. Mas o mercado trabalha com estimativas menos otimistas. A XP Investimentos reduziu sua projeção de alta do PIB de 2020 de 2,3% para 1,8%. O BNP Paribas derrubou sua previsão de crescimento de 2% para 1,5%.

Frustração com investimentos

Os dados do PIB para o quatro trimestre frustraram os economistas – apesar de terem sido comemorados pelo governo. É que a taxa de investimento, que subiu 3,2% no segundo trimestre e 2% entre julho e setembro, caiu 3,3% nos três últimos meses de 2019.

Qual é a importância da taxa de investimento? Ela sinaliza a confiança do empresário na economia, o acesso a crédito e a disponibilidade dos recursos na economia. Na prática, significa ampliação da produção e ganho de produtividade, inovação, pesquisa e tecnologia. Mas se o investimento recua, o sinal é de que o setor produtivo não vê com otimismo a perspectiva de crescimento econômico do país.

Qual é a situação da economia brasileira? O 6 Minutos conversou com economistas de instituições financeiras para saber onde estamos e para onde vamos. Veja os temas abordados:

Qual o balanço do PIB de 2019? “Pequeno para depois de dois anos de expansão”, analisou João Mauricio Rascal, economista-chefe da Guide Investimentos. Após 2017 e 2018 com crescimento fraco e o início de uma retomada, já era hora de a expansão da economia ganhar tração. Para ele, o ritmo fraco preocupa.

Tiago Tristão, economista da Genial Investimentos, se surpreendeu com a composição do PIB, que chamou de “muito heterogênea”. Em sua avaliação, o adequado seria um crescimento mais similar entre o consumo das famílias e o investimento, mas esses dois indicadores se comportaram de formas distintas, o que mostra uma economia pouco interligada.

A confiança não veio e a reforma da Previdência demorou para acontecer. “Foi desapontador”, disse Rascal. O ano teria sido melhor se as fricções e disputas entre  Legislativo e Executivo não tivessem acontecido no início de 2019. “Eram impulsos importante, que perdemos”, analisa Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset.

Dólar em alta influencia investimento em baixa: Na avaliação de Rascal, a alta da moeda pode estar relacionada à pequena taxa de investimento. “Boa parte do investimento se dá via importação de maquinário, que pode ter sido postergado diante da alta do dólar e desconfiança com o cenário interno (tensões políticas) e externo (guerra comercial) –   até dezembro, coronavirus não era assunto.

O que esperar para 2020? Rascal, da Guide, vê uma retomada ainda moderada e nada muito robusta. Embora um crescimento com mais ritmo fosse o ideal, os dados referentes ao quarto trimestre de 2019 divulgados nesta quarta-feira (4) mostram que a situação atual ainda não dá margem para um ritmo mais expressivo.

E como ficam os investimentos em 2020? Tristão, da Genial, vê investimentos mais sólidos só a partir do segundo semestre, quando o mercado de crédito estará mais acostumado a juros menores. “Quem vai puxar a alta do investimento são os setores de demanda agregada, aqueles em que o empresário sabe que vai vender mais pra frente”. Os exemplos são:

  • Produção de petróleo
  • Agronegócio
  • Varejo para consumo doméstico
  • Construção civil

Jason Vieira, economista chefe da Infinity Asset, fala sobre a importância do investimento direto, que vem do investidor estrangeiro. Em 2019, sua participação no total aplicado no Brasil andou de lado.

O papel do Banco Central: Para os especialistas, uma das razões para o “pibinho” de 2019 foi o pouco impacto dos cortes na taxa Selic sobre os juros cobrados ao tomador. “O canal entre o o BC e a sociedade está entupido, e mesmo que o corte mais expressivos nos juros tenham começado em julho, foi só no fim do ano que o Banco Central endereçou mais políticas pró-fintech e limite de cobrança de juros”, analisa Vieira. O avanço dessas políticas pode ajudar no PIB a partir de 2020. 

Qual será o impacto do coronavírus?

  • Queda nas exportações brasileiras – a China, principal destino dos produtos brasileiros, vai crescer menos, embora não se saiba o quão menos. E nesse sentido, naturalmente, o Brasil vai vender menos.
  • Desvalorização do real – em temos de incerteza, moedas de países emergentes como o Brasil perdem força.

Mas Jason Vieira, economista chefe da Infinity Asset, prefere monitorar como a China vai se recuperar dos milhares coronavírus e semanas de produção suspensa. “A melhora da confiança poderia ser transferida pra 2020, mas no meio do caminho veio o coronavírus, e agora precisamos esperar mais números e contexto”.

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