Não é só cansaço e falta de tempo para cuidar de si. As mudanças causadas pela pandemia estão pesando demais para as mulheres. Elas, mais que seus pares masculinos, passaram a acumular as responsabilidades profissionais com os deveres da casa e cuidados com os filhos. O problema é que essa situação também aumentou muito a insegurança das mulheres em relação ao seu futuro profissional.

Pesquisa realizada pela Deloitte em nove países sobre os efeitos da pandemia no trabalho das mulheres mostra que 82% das entrevistadas disseram que suas vidas foram impactadas negativamente pela pandemia. E 70% estão preocupados com as consequências dessa situação para suas carreiras.

O que foi exatamente que piorou? Para começar, elas estão trabalhando mais do que antes: 1/3 respondeu que a carga de trabalho aumentou na pandemia. Outras 46% sentem que precisam estar disponíveis o tempo todo para o trabalho – seja para responder e-mails imediatamente ou simplesmente ficar sempre online .

Combinado a isso, agora elas têm que cuidar da casa (65%), dos filhos (58%) e ajudá-los com as tarefas escolares (53%). Não é pouca coisa.

“Essa diferença [entre homens e mulheres] sempre existiu, só que ficava mascarada, pois as mulheres podiam terceirizar essas tarefas. Essa responsabilidade sempre existiu, mas a pandemia colocou pôs um holofote nessa situação”, afirma Angela Castro, líder do programa de diversidade da Deloitte Delas e sócia de consultoria tributária.

Um sinal de alerta é que a pesquisa mostra que muitas mulheres questionam se desejam progredir na carreira neste momento. Entre os motivos citados por estão a falta de equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, de jornadas flexíveis, uma expectativa de jornadas extras e comportamentos não inclusivos dentro da companhia.

Como virar esse jogo? Angela diz que as empresas precisam ter ciência dessas dificuldades e criar condições de equidade para as profissionais. “Quando a gente fala de igualdade, falamos em dar a mesma oportunidade para todos. Quando a gente fala de equidade, é dar oportunidades de acordo com cada pessoa, com cada situação e a sua realidade. É entender que ter filho não significa um retrocesso para a carreira e que o homeschooling afeta de formas diferentes homens e mulheres”, diz Angela.

E o qual o papel das empresas nisso? Um papel muito importante, segundo a líder de diversidade da Deloitte. Uma das sugestões é permitir que a mulher tenha um horário de trabalho mais flexível. “Não posso criar um sentimento de culpa nem de obrigá-la a se virar em dez para participar de mil reuniões. É preciso pensar em como atender essas necessidades para que haja um equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal.”

A pesquisa da Deloitte aponta seis etapas que as organizações devem implementar para apoiar a força de trabalho feminina durante a pandemia:

  • Acordos de trabalho flexíveis
  • Enfatizar a confiança e empatia com as funcionárias
  • Prover oportunidades de networking e mentoria
  • Implementar experiências de aprendizado
  • Abordar o preconceito inconsciente no planejamento de sucessão e promoção
  • Fazer com que a diversidade, o respeito e a inclusão sejam valores inegociáveis da cultura da empresa

O que as mulheres querem? A pesquisa também perguntou o que as mulheres gostariam que fosse implementado por seus empregadores. Das entrevistadas brasileiras, 76% disseram que gostariam que suas empresas fornecessem melhores benefícios como licença parental e políticas de licença médica. Em seguida, recursos como redes de mulheres, programas de liderança, oportunidades de networking e programas de mentoria, são desejados por 73% das trabalhadoras

Essa é uma preocupação para o pós-pandemia? Para Angela, tudo isso serve como aprendizado. “Estamos vivendo um momento único, seria um absurdo não aproveitar isso para analisar nossa situação e praticar de forma real e autêntica o autoconhecimento de forma humanizada e empática. É uma oportunidade de construir um novo momento não só para as mulheres, mas para todas as pessoas. Nada melhor do que sair desse túnel melhor do eu entramos”, disse.

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