O presidente da Argentina, Alberto Fernández, disse na quarta-feira (6) que o descontrole da pandemia de coronavírus no Brasil é um risco para a toda a região.

Boa parte do problema é que o trânsito de mercadorias continua entre os dois países, com muitos caminhões saindo do Estado de São Paulo, região onde há mais casos e contaminações.

Fernández afirmou, em entrevista à Rádio Con Vos, de Buenos Aires, que conversa com países vizinhos como Chile e Uruguai sobre a situação. “É claro que o Brasil representa um risco”, disse Fernández.

Qual a preocupação de Fernandez em relação ao Brasil? O presidente argentino cita o fato que o Brasil faz fronteira com toda a América do Sul, menos com Chile e Equador. “Na Argentina, entram muitos caminhões brasileiros que vêm de São Paulo, que é o lugar mais infectado do Brasil”, lembra. Fernandez vê as ações do Brasil como irresponsáveis.

Como outros países estão reagindo? O presidente do Uruguai mandou reforçar os controles sanitários na fronteira com o Brasil.

No Paraguai, o Exército colocou arame farpado e cavou valas em alguns trechos da fronteira com o Mato Grosso do Sul. O governo afirma que 85% dos 2.810 paraguaios que voltaram ao país após o início da pandemia vieram do Brasil e foram responsáveis pela maior parte da disseminação da covid-19 no país.

Como está o cenário de infectados e óbitos por Covid na Argentina? Até ontem (6), o país tinha registrados 5 mil casos e 264 mortes – 6 óbitos em cada milhão de habitantes. Enquanto isso, no Brasil, já há mais de 120  mil casos e 8 mil mortes – 38 óbitos em cada milhão de pessoas.

O que diz Fernandez sobre a economia e o isolamento social? “Da morte não se volta, mas a economia se recupera”, declarou, no dia 30 de março. Duas semanas depois, ele defendeu o isolamento, alegando que a escolha entre quarentena e economia era “um falso dilema”. “Prefiro 10% a mais de pobres do que 100 mil mortos pelo coronavírus na Argentina.”

(Com Estadão Conteúdo)

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu WhatsApp? É só entrar no grupo pelo link: https://6minutos.uol.com.br/whatsapp.