Durante anos, a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) ignorou a expansão do setor de gás de xisto nos Estados Unidos. Agora, o cartel faz outra aposta ousada na revolução do petróleo nos EUA: a de que a era  do share gas dourada teria acabado.

Ministros da Opep estão reunidos nesta semana para decidir se a meta atual de produção deve ser ampliada em vez de ser reduzida. Pesará sobre a decisão a crença de que a forte produção de petróleo nos EUA vai desacelerar no ano que vem. O Iraque vota pela redução, mas outros membros discordam.

O raciocínio é o seguinte: se a produção americana crescer em um ritmo mais lento, não será necessário cortar a produção para manter a cotação no atual patamar. Ao contrário, talvez os países produtores que fazem parte da Opep podem até elevar um pouco a produção para evitar alterações na oferta de petróleo.

O que dizem os especialistas? A Opep não está sozinha. Executivos do setor de energia também acreditam que em 2020 a produção nos EUA crescerá menos.

A Vitol Group, maior trader independente de petróleo do mundo, espera que a produção dos EUA aumente em 700 mil barris por dia entre dezembro de 2019 e dezembro de 2020, abaixo, portanto, do crescimento de 1,1 milhão de barris por dia entre o fim de 2018 e o dezembro de 2019.

O que os preços indicam? O petróleo do tipo Brent tem sido negociado na casa de US$ 60 o barril na maior parte de 2019, uma valorização de 14% em relação ao início do ano, mas bem abaixo do pico de US$ 75,60 o barril visto no fim de abril.

Qual o ritmo da produção? A produção de petróleo dos EUA atingiu recorde de quase 17,5 milhões de barris por dia em setembro, um aumento de 1,3 milhão de barris por dia na comparação anual. É provável que essa expansão continue pelo menos até o início de 2020 antes de desacelerar.

O que prevê o setor privado? Embora empresas independentes que impulsionaram a expansão do gás de xisto dos EUA estejam em crise e tenham anunciado grandes cortes de gastos, grandes petroleiras agora desempenham um papel muito maior em bacias importantes como a Permiana. Empresas com mais recursos, como a Exxon Mobil e a Royal Dutch Shell, provavelmente continuarão investindo, aumentando a produção nos estados do Texas, do Novo México e em outros lugares.

Qual o efeito da produção brasileira e de outros países? A produção brasileira — em grande parte, puxada pela Petrobras nos campos do pré-sal — e a norueguesa está aumentando e deve crescer ainda mais em 2020. Muitos projetos tiveram o custo de implantação reduzido, e os resultados são claros. Por isso, talvez o maior problema para a Opep não seja o gás de xisto americano, mas o aumento da produção em outros mercados.

(Com Bloomberg)

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