Dados abertos, juros mais baixos, produtos financeiros nunca vistos antes. Nesta sexta-feira entra em vigor a segunda fase do open banking, e a expectativa em torno das possibilidades da nova estrutura de compartilhamento de dados de clientes entre bancos é grande.

Mas o que realmente muda? No longo prazo, tudo. Nos próximos meses, muito pouco. O 6 Minutos conversou com especialistas no tema e descobriu que, até outubro, no máximo 10% dos correntistas poderão ter seus dados divididos entre os bancos, em um período que servirá mais como teste.

Nas próximas quatro semanas (até o dia 12 de setembro), essa limitação será ainda maior: cada instituição financeira poderá compartilhar informações de apenas 0,1% dos correntistas, e somente para troca de dados cadastrais, como nome, CPF, filiação e data de nascimento.

“O Pix também foi assim. Quando o BC lança um sistema desse tamanho, que conecta diversas instituições financeiras, tem que ter um cuidado muito grande para ir testando aos poucos”, esclarece Thiago Alvarez, diretor de open banking do PicPay e fundador do Guiabolso.

O que muda no curtíssimo prazo? A partir desta sexta, os bancos de grande porte passarão a compartilhar, se autorizados pelos clientes, seus dados cadastrais. “O mais provável é que os bancos usem esse tempo para fazer testes de open banking, pedindo aos seus funcionários e a alguns clientes que autorizem partilhar dados de cadastro”, aponta Alvarez.

De acordo com ele, esses dados são úteis para abertura de conta corrente, por exemplo. “Uma funcionalidade pode ser a seguinte: quando vou abrir uma conta em um banco, ele pode me perguntar se aceitou compartilhar dados cadastrais de uma outra conta em outro banco. Evita ter que preencher tudo aquilo”.

Para Ellen Muneratti, CEO de open banking da consultoria Teros, que desenvolve estratégia de dados e soluções para o sistema, outra possibilidade nesse primeiro momento é uma solução de preenchimento automático de informações no e-commerce. “Já há aplicações sendo desenvolvidas nesse sentido”, conta.

E no médio e longo prazo? A partir de 27 de setembro, os bancos começam a dividir entre si dados como histórico de crédito e cartão dos clientes, funcionalidade que até outubro será restrita a 1 correntista em cada 10.

A aposta é que quando isso for liberado para toda a base de clientes dos bancões, a partir de novembro, se dará início a avanços na oferta de financiamento, com taxas menores e pensadas mais adequadamente.

A relação de todas as transações e empréstimos que os clientes já fizeram na vida é um dos ativos mais preciosos dos grandes bancos. E é também o bem mais desejado pelas instituições financeiras que chegam agora ao mercado. Saber se você se endivida de forma recorrente, ou se apesar de não ter renda própria possui um rendimento familiar de três dígitos, por exemplo, dá ao banco o caminho das pedras: para quem emprestar (ou não) e o risco que está correndo.

Daqui para a frente, a dúvida é como cada instituição financeira irá processar esses dados, transformando uma grande quantidade de números em informações úteis.

“Há alguns meses, a conversa era do ponto de vista tecnológico. Agora, as empresas já estão construindo estratégias e produtos a partir do acesso de dados”, explica Juan Ferrés, fundador da Teros. “Apesar disso, neste início vamos ver mais ações de marketing, até para o consumidor se familiarizar com o conceito. Mas na prática, vai ser um processo gradual”.

Qual o cronograma da segunda fase do open banking? Essa segunda etapa foi dividida pelo Banco Central, que é o regulador do novo sistema, em quatro ciclos diferentes. A ideia é que a implementação seja lenta, para dar tempo de os bancos adaptarem seus sistemas.

Veja abaixo o que será liberado e quais as limitações de horário e percentual de correntistas:

De 13 de agosto até 12 de setembro

  • Libera, mediante autorização do cliente, o compartilhamento de dados cadastrais
  • Somente 0,1% dos correntistas podem ter dados compartilhados
  • O horário de funcionamento do open banking é das 8h às 18h em dias úteis.

De 13 de setembro até 26 de setembro 

  • Libera, mediante autorização do cliente, o compartilhamento de dados de conta corrente e poupança
  • Somente 0,5% dos correntistas podem ter dados compartilhados
  • O horário de funcionamento do open banking é das 8h às 18h em dias úteis.

De 27 de setembro a 10 de outubro

  • Libera, mediante autorização do cliente, o compartilhamento de dados de cartão de crédito e operações de crédito
  • Somente 1% dos correntistas podem ter seus dados compartilhados
  • O horário de funcionamento do open banking é de sábado a quarta das 8h às 18h e 24 horas nas quintas e sextas

De 11 de outubro a 24 de outubro

  • Somente 10% dos correntistas podem ter dados compartilhados
  • O horário de funcionamento é de 24 horas, 7 dias por semana

A partir de 24 de outubro

  • A expectativa é que todos os correntistas possam ter seus dados compartilhados

Me explica melhor o que é o open banking? É uma espécie de infraestrutura padronizada pelo Banco Central que permitirá conectar diferentes linguagens de programação de TI (tecnologia da informação) do sistema financeiro de forma simples e rápida.

Em outras palavras, os diferentes sistemas passam a falar o mesmo idioma, o que permite troca de dados de correntistas.

O BC determinou que, se o cliente autorizar, seu banco é obrigado a compartilhar seus dados de conta corrente e histórico de crédito.

 

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