SÃO PAULO (Reuters) – A carga de energia do sistema elétrico interligado do Brasil deve encerrar junho com salto de 8,3% frente ao mesmo período do ano passado, apontou o Operador Nacional do Sistema (ONS) em boletim nesta sexta-feira, no qual elevou previsão de alta de 7,7% divulgada na semana anterior.

A melhora estimada no desempenho vem mesmo com expectativa de temperaturas mais amenas ou semelhantes na próxima semana, destacou o órgão do setor de energia, ao projetar que a produção industrial deve se manter “em patamares elevados, principalmente daquelas indústrias voltadas para exportação”.

“A melhora do setor externo graças à recuperação da economia mundial, devido ao controle da pandemia em países como Estados Unidos, parte da Europa e China, tem contribuído para o desempenho desse setor”, disse o ONS em boletim.

A maior expansão percentual prevista pelo ONS para a carga é na região Norte, com alta de 11,8%, enquanto no Nordeste espera-se avanço de 9,9% na comparação com mesmo período de 2020, quando a pandemia de coronavírus gerava maior impacto sobre atividades, embora o país siga com número elevado de casos de Covid-19.

No Sudeste/Centro-Oeste, o ONS vê agora elevação de 8% na carga no mês, enquanto no Sul é prevista alta de 6,2%.

Na semana anterior, o ONS via um aumento maior na carga do Norte, de 12,5%, mas desempenho inferior no Sudeste/Centro-Oeste, onde era esperado crescimento de 7,1% ano a ano.

SECA CONTINUA

O ONS apontou ainda que o quadro de chuvas escassas na região das hidrelétricas do país deve seguir em vigor, com as precipitações na área das usinas do Sudeste e Centro-Oeste estimadas em 66% da média histórica para junho, leve alta frente aos 62% projetados na semana anterior.

Para atender à demanda enquanto busca poupar água nos reservatórios hídricos, o ONS projetou que deverá acionar 9,61 gigawatts em termelétricas na próxima semana, pouco acima dos 9,57 gigawatts vistos na semana anterior.

Com isso, o nível dos lagos das hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste, região líder em capacidade de armazenamento, deve terminar o mês em 28,9% do total, contra 30,8% no início do mês, disse o ONS.

(Por Luciano Costa)

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