Foi por puro desespero que os sócios da Chocoponto, uma pequena fábrica de chocolates com quatro lojas na zona sul de São Paulo,  publicaram no começo da semana um vídeo nas redes sociais para pedir socorro.

“Este é o momento de ajudar. Fizemos um investimento muito grande nesta Páscoa. A gente tem seis toneladas de chocolate aqui”, dizia no vídeo Raquel Mafa, uma das sócias da empresa, com lágrimas nos olhos. Na postagem, ela pedia para que as pessoas comprassem pelo menos um ovo de chocolate.

O apelo foi feito depois das vendas da Chocoponto pararem totalmente com o fechamento das lojas, em 20 de março, quando o comércio não essencial teve que suspender atividades para ajudar a conter a pandemia de coronavírus. “O desespero foi muito grande, por isso resolvemos gravar o vídeo e divulgar para os amigos”, explica Rafael, irmão de Raquel e também sócio da Chocoponto.

Tombo nos ovos de chocolate

No Estado de São Paulo, segundo a Apas (Associação Paulista de Supermercados), o comércio esperava vender 2,2% mais ovos e itens sazonais que no ano passado. Agora, a entidade reviu a expectativa e calcula uma queda de 8,5%. Na Grande São Paulo, o cenário é pior: espera-se baixa de 10,5%.

A expectativa do varejo – antes da pandemia – era de crescimento de 5% a 10% nas vendas desta temporada de Páscoa, em relação ao ano passado, conforme divulgaram as associações de lojistas. Mas o que se tem visto agora, segundo a empresa de pesquisa de mercado, é uma queda nas vendas de 88% nos itens sazonais em relação à primeira semana de março, antes de o coronavírus se alastras.

6 toneladas em 1 dia

Para a Chocoponto, a coisa tomou outra proporção: em menos de 24 horas após o primeiro compartilhamento, conta Rafael, o telefone precisou ser desligado. “Não tínhamos mais como receber encomendas: vendemos tudo, tudinho!”, diz ele. Em resumo, a produção de uma temporada toda foi comercializada em apenas um dia.

Foram, segundo o empresário, mais de 50 mil mensagens de pessoas encomendando ovos ou outros doces. “Ficamos tão agradecidos que resolvemos gravar outro vídeo, não só para dizer obrigado, mas para pedir ajuda para outras pessoas que dependem da Páscoa, como a gente, para vender – e que estão desesperadas como estávamos”, diz Rafael.

Corrente do bem

Nessa segunda publicação, Raquel, Rafael e o terceiro sócio da bomboniere, Ygor Barbosa, pedem para que as pessoas escrevam o nome de outros fabricantes de ovos que precisam de ajuda para auxiliar na divulgação dos produtos de época.

Foi o que fizeram com a doceira Vanessa De Martino, do jardim Bonfiglioli, em São Paulo, que há seis anos trabalha com doces e vende ovos de chocolate na Páscoa. Uma amiga colocou seu nome nos comentários da publicação da Chocoponto.

“Achei, no começo da quarentena, que as pessoas iam encomendar mais doces e chocolates, já que não podem sair de casa. Mas esse movimento não aconteceu”, diz Vanessa. “Também me preparei, para fazer a mesma quantidade de ovos do ano passado, mas já estou vendo que vai ficar muita coisa encalhada aqui”, acrescenta.

Para não perder as vendas da temporada, ela correu atrás de seus clientes, digitalmente: passei mensagens e reforcei as publicações em mídias sociais para lembrar as pessoas de fazer as encomendas. Também criei um kit ‘minifesta’ para quem faz aniversário e não pode sair de casa, com um bolinho, docinhos e salgadinhos. E está saindo muito bem. E agora entrego tudo com ajuda de um motoqueiro.”

Cursos grátis

Para incentivar pequenos produtores domésticos como Vanessa a não desistir de seus negócios, a Harald, fabricante de coberturas e chocolates para artesãos, resolveu dar acesso gratuito ao seu conteúdo de cursos, que antes eram pagos. O objetivo, segundo a empresa, é ajudar microempreendedores de chocolates de todo o País com materiais exclusivos da marca, novas receitas, vídeos e dicas de produção.

 

Campanhas de ajuda

Existem dezenas de campanhas rodando a internet para buscar auxílio para pequenos negócios afetados pela pandemia.

No Recife, por exemplo, o site “No bairro tem” mostra mais de mil pequenos negócios na região metropolitana da capital pernambucana para que as pessoas possam dar preferência na hora de fazer suas compras. Em vez de usar grandes redes, que têm mais folego para aguentar a crise, a ideia é ajudar os pequenos.

Vouchers

A ideia dos cupons do bem, para ajudar salões de beleza, bares, restaurantes e pousadas ganha cada vez mais adeptos. A campanha “Apoie um restaurante”, da cerveja Stella Artois, permite adquirir um voucher de R$ 50 para gastar em restaurantes de todo o Brasil, que equivalerá a R$ 100 de consumo nos estabelecimentos. Lançado na semana passada, o projeto, em poucas horas no ar, vendeu mais de 40 mil vouchers, para estabelecimentos em mais de 300 cidades cadastradas até o momento, com potencial para atingir todo o país. A campanha, que começou com com 400 restaurantes cadastrados, já tem mais de 4 mil.

Vaquinha

Outra forma de ajudar é participando de vaquinhas virtuais. Na região de Santa Cecília, em São Paulo, o bar Cama de Gato, está usando financiamento coletivo online para se manter mesmo de portas fechadas. O bar precisa de pelo menos R$ 40 mil reais por mês para pagar as contas fixas. Com a campanha, batizada de #SupportYourLocalBar (ajude seu bar local), o Cama de gato já arrecadou R$ 22 mil.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).