O PIB (Produto Interno Bruto) avançou 0,6% no terceiro trimestre de 2019 e totalizou R$ 1,84 trilhão. No acumulado de janeiro a setembro, o crescimento da economia foi de 1,2% na comparação com igual período do ano passado.

O resultado é considerado positivo, embora ainda esteja 3,6% abaixo do pico de desempenho do PIB, alcançado no primeiro trimestre de 2014. Entre os setores e subsetores considerados no Sistema de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, pesquisa que mede o crescimento da economia, alguns chamaram mais a atenção de analistas e economistas. O 6 Minutos separou alguns recortes e análises abaixo.

Sobre a agropecuária, que cresceu 1,3%: Na análise de Sergio Vale, economista-chefe na consultoria MB Associados, o desempenho é um dos frutos da guerra comercial entre China e Estados Unidos, que favoreceu a exportação de grãos brasileiros para o país chinês, especialmente soja. Para o próximo trimestre e em 2020, a expectativa é a de manutenção do crescimento, estimulado pela exportação de proteína animal.

Investimento aumentou 2%: “O comportamento da Força Bruta de Capital Fixo (nome técnico para investimento) aponta uma bem-vinda retomada dos investimentos”, analisa André Perfeito, economista-chefe da corretora Necton. A relação entre o total investido na compra de maquinário, na ampliação do parque fabril e na infraestrutura e o total movimentado pelo PIB foi de 16,3%. O economista avalia que os investimentos em meio à redução dos gastos públicos (-0,4%) “abrem espaço forçosamente para a iniciativa privada”.

O mercado da construção: Construção civil, infraestrutura e logística cresceram, juntos, 1,3% no terceiro trimestre. Na avaliação de Ricardo Jacomassi, economista e sócio da TCP Partners, o melhor está por vir. “O ano de 2019, especialmente a partir de julho, serviu para o governo dar transparência a processos, atualizar regulações e mostrar a investidores internacionais que há vontade e projetos de concessões. Agora é um período de maturação dos projetos, e a avalanche de execuções e contratações será em 2021”, diz Jacomassi. Para ele, o aumento de 2% na taxa de investimento comprova a intenção das empresas de realizar novos projetos, principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste.

2020 vai dar varejo: Inflação controlada, juros mais baixos e mais concessões de crédito estabelecem um cenário positivo para que o varejo deslanche de fato a partir do ano que vem. Jacomassi acredita que essa perspectiva, somada à queda do desemprego, dará mais força ao setor em 2020.

O crescimento está sustentável com ajuste internos, e choques precisam ser evitados: Para Vale, a economia está em um ciclo efetivo de recuperação, que é retardada por choques como o “Joesley Day” em 2017 e a greve dos caminhoneiros em 2018. Eles precisam ser evitados. Os choques externos, como a crise da Argentina, a guerra comercial e a desaceleração da economia global também influenciam o PIB, mas ajustes internos de política fiscal, sobre as contas públicas, e monetária, sobre juros e inflação, podem ajudar o país o minimizar os impactos externos.

Do que o país ainda precisa? O economista-chefe da MB Associados avalia como importante a evolução da lei de saneamento e reformas que começaram na gestão do ex-presidente Michel Temer. A educação é outro ponto importante, especialmente em uma economia que precisa recuperar o mercado de trabalho e reduzir a taxa de informalidade. “Mas o governo falha nesse aspecto”, analisa Vale.

Qual a expectativa para 2020? O MB Associados projeta um crescimento de 1,6% no PIB e uma inflação em 3,6%.

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