As ações da Stone tiveram um dia de disparada na Nasdaq nesta quarta-feira (27). Os papéis subiram quase 28% em uma única sessão, o que aumentou o valor de mercado da empresa em nada menos que US$ 2 bilhões — algo como R$ 10,5 bilhões. Agora, a Stone está avaliada em mais de US$ 9,4 bilhões. A escalada chamou a atenção do mercado, principalmente em um contexto de empresas afetadas pela pandemia do coronavírus.

Mas o que aconteceu? A reação positiva dos investidores veio após a divulgação do balanço da empresa. Ontem, a Stone reportou seus resultados do primeiro trimestre. Os destaques foram o lucro líquido ajustado de R$ 162,3 milhões e um avanço de de 42,1% no total de volume de pagamentos processados, chegando a R$ 37 bilhões.

O balanço deu pistas que a empresa de pagamentos foi duramente afetada pela crise em um primeiro momento, mas que já começa a ver os primeiros indícios de melhora. Depois de um tombo em março, os recursos processados nas maquininhas e plataformas da Stone subiram 9% em abril e 23% em maio (até a véspera da divulgação do balanço).

“A rápida disponibilização das vendas on-line para seus credenciados combinada com uma presença maior nas regiões menos afetadas (pela pandemia) permitiu uma recuperação mais rápida que o esperado”, disse o analista James Friedman, da empresa americana de tecnologia Susquehanna.

Ele disse que o volume transacionado digitalmente pela Stone já está em 87% do registrado antes do início da pandemia, o que reforça essa tese de recuperação rápida. Além disso, mesmo com a queda, o ritmo de avanço dos recursos dos pagamentos está acelerado — algo como 80% mais, em relação ao ano passado.

“Estamos otimistas com o fato de que a indústria de pagamentos — tanto a de operações presenciais quanto a de transações em e-commerce — deverá compensar a desaceleração cíclica causada pelo coronavírus“, disse o analista Jorge Kuri, do banco Morgan Stanley.

Demissões e aquisições

No último dia 12, a Stone demitiu 1.300 funcionários — o equivalente a 20% da sua força de trabalho. Na época, a empresa alegou que o volume de pagamentos havia despencado por causa da crise, e que os investimentos estavam em desacordo com as receitas.

No entanto, cerca de duas semanas após essas demissões, a Stone anunciou uma nova aquisição. A empresa de pagamentos comprou a Vitta, uma plataforma de serviços de saúde e telemedicina. A gestora Arpex Capital, que tem o fundador da Stone André Street como sócio, já detinha parte da Vitta. O valor da operação não foi divulgado.

No comunicado em que comunicou a transação, a Stone disse que decidiu pela compra da healthtech por causa da sinergia entre os negócios.

“Muitos dos nossos clientes não têm planos de saúde satisfatórios nem para suas famílias nem para seus funcionários. Nós acreditamos que a Vitta criou um modelo de negócio inovador no mercado de tecnologia para saúde, combinando negociação de reajustes de valores com um atendimento ao cliente de qualidade baseado em telemedicina 24/7 e suporte por Whatsapp”, disse a Stone, na nota.

Futuro promissor

A rápida subida nas ações da Stone no mercado americano não reflete só um otimismo de curto prazo. A empresa, que surgiu como uma pequena concorrente das gigantes Cielo e Rede, foi abocanhando pedaços do mercado aos poucos e pode estar prestes a adquirir uma das rivais.

Conversas entre os donos da Stone e os acionistas da Cielo estão acontecendo — embora não haja ainda uma decisão sobre o negócio. Não é improvável que, nesse caso, o Golias de outrora seja engolido por Davi.

Para ter noção do tamanho da promessa, analistas do banco Goldman Sachs esperam que o lucro por ação caia 12% em 2020, mas que suba 107% em 2021 e 43% em 2022. Vale lembrar que a Berkshire Hathaway, do mega investidor Warren Buffett, detém cerca de 8% da Stone.

(Com Bloomberg)

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).