O Nubank anunciou nesta segunda-feira a criação do programa NuSócios, no âmbito de seu processo de abertura de capital (IPO, na sigla em inglês). Segundo a empresa, milhões de clientes serão convidados a se tornarem sócios do banco, sem nenhum custo, por meio do recebimento de um BDR (Brazilian Depositary Receipts, um papel negociado no mercado nacional que replica a ação de uma empresa que está listada no exterior, como será o Nubank).

O banco digital destinará entre R$ 180 milhões e R$ 225 milhões para a compra de BDRs para os clientes, que poderão se inscrever a partir do dia 9 de novembro pelo aplicativo. As unidades de BDR do programa NuSócios – que, estima-se, equivalerão a um sexto do papel a ser emitido nos Estados Unidos – só poderão ser negociadas 12 meses depois do IPO.

Segundo o Nubank, para receber os BDRs que serão distribuídos no programa anunciado nesta segunda-feira, é preciso ser um cliente ativo, ter uma conta do banco que não esteja bloqueada para transações, não estar inadimplente com a instituição por mais de oito dias corridos e ter realizado ou recebido pelo menos uma operação em qualquer produto do Nubank nos últimos 30 dias antes de aderir ao programa.

“A partir do dia 9 de novembro de 2021, os clientes elegíveis a receberem um pedacinho verão as instruções para aceitá-lo no app do Nubank”, informou o banco em seu blog.

IPO

O banco digital vai abrir seu capital nas Bolsas de Nova York (Nyse) e de São Paulo (B3) de forma simultânea, e espera levantar o equivalente a R$ 16,8 bilhões, considerado o preço médio da faixa indicativa definida para os papéis. Será, se confirmados os valores, a maior oferta de uma empresa da América Latina neste ano.

Com a colocação dos lotes adicional e suplementar, e consideradas as ações de classe A, que serão vendidas, e as de classe B, que não serão vendidas, o Nubank pode chegar ao mercado avaliado em US$ 51,241 bilhões, ou R$ 289,313 bilhões. É mais do que os grandes bancos brasileiros: na Nyse, o Itaú Unibanco vale US$ 38,54 bilhões. O Bradesco, US$ 30,44 bilhões.

Se forem colocados todos os lotes de ações, a oferta da fintech levantará R$ 22,801 bilhões, estimativa feita pelo Nubank considerando uma taxa de câmbio de R$ 5,6123 e o preço médio da faixa, que vai de US$ 10 a US$ 11 por ação. Destes, R$ 20,245 bilhões seriam referentes à oferta primária, em que os recursos vão para o caixa da companhia. Considerado o preço máximo, a oferta movimentaria R$ 23,886 bilhões.

Segundo o prospecto, os recursos líquidos do IPO serão direcionados para o capital de giro do Nubank, despesas operacionais, despesas de capital e investimentos e potenciais aquisições. Cada um dos quatro “eixos” receberia 25% do total levantado, ou R$ 4,139 bilhões considerada a oferta-base com o preço médio de US$ 10,50, ou R$ 58,93.

Na B3, o Nubank vai ofertar os BDRs, que representarão uma fração de cada ação de classe A vendida na Nyse. O banco digital acredita que cada BDR equivalerá a um sexto de uma ação, mas esta relação será definida na data da oferta.

As ações de classe A do Nubank darão a seus titulares o direito a um voto por ação nas assembleias gerais de acionistas, enquanto as ações de classe B, que não fazem parte da oferta, darão direito a 20 votos por papel, o que garantirá a manutenção do atual bloco de controle do banco digital. Os BDRs darão a seus detentores os mesmos direitos atribuídos às ações de classe A, mas os direitos a voto serão exercidos pela instituição depositária.

As ações do Nubank na Nyse terão o código “NU”, enquanto os BDRs serão negociados na B3 sob o código “NUBR33”, e estreiam no mesmo dia do debute em Nova York.

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