Nove em cada dez brasileiros endividados sentem vergonha de sua condição financeira, de acordo com levantamento do Serasa feito com 6.646 pessoas em todas as regiões do país entre os dias 4 e 14 de novembro deste ano. O estudo revelou ainda que 85% dos entrevistados têm piora na qualidade do sono e 76% percebem queda de produtividade no trabalho.

“Não podemos atrelar apenas a um estigma, mas também existe um aspecto cultural já que muitos brasileiros ainda, infelizmente, entendem as dívidas como um motivo de constrangimento público. Isso pode ter origem no passado, quando a busca pelo crédito era feita de forma presencial, uma espécie de praça pública”, avalia o gerente da entidade, Matheus Moura.

O desemprego é o principal responsável pelo endividamento, com influência em 30% dos casos. Dentre as dívidas não pagas, o cartão de crédito representa 53% dos casos. No entanto, desta vez há um agravante: os entrevistados afirmam que 69% do dinheiro despendido destina-se à compra de alimentos, um sinal da perda do poder de compra da população em meio ao agravamento da crise econômica e o aumento da inflação.

Para Moura, fatores como a falta de conhecimento sobre finanças pessoais e a falta de poupança, associada tanto a questões culturais quanto a problemas estruturais da economia brasileira, também contribuem para a elevação do endividamento.

“Seja pela baixa renda ou por falta de educação financeira, o brasileiro está acostumado a viver no limite das suas finanças. E o número de inadimplentes, infelizmente, já externa uma dificuldade de organização financeira. Além disso, o desemprego e as crises econômicas afetam o orçamento das famílias, que não estavam preparadas para a crise que vivemos desde o início da pandemia.”

Compras em lojas e contas básicas, que inclui água, luz e gás, respondem por 34% e 32%, respectivamente. Desde o ano passado, o porcentual de pessoas que precisaram escolher pagar umas dívidas em detrimento de outras saltou de 62% para 70%.

“A pesquisa o Bolso do Brasileiro, realizada pela Serasa em fevereiro de 2021, mostrou que entre os brasileiros que chegaram a atrasar o pagamento de alguma conta durante a pandemia, as contas básicas – água, luz, gás, etc – e aluguel são as prioridades caso tivessem que optar por apenas um pagamento em dia.”

As dívidas, segundo 85% dos respondentes da pesquisa, interferem negativamente na vida social. O cobertor curto das contas domésticas torna práticas de lazer proibitivas para boa parte da população, principalmente nas atuais condições econômicas do país, que sofre há meses com a alta da inflação.

“Outro impacto é desorganização financeira das famílias com a dificuldade no acesso ao crédito, restringindo projetos pessoais e sonhos”, lembra Moura.

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