Lançada pelo Banco Central como forma de reduzir custos e contornar o forte aumento de notas em circulação por causa da pandemia de coronavírus, a nova cédula de R$ 200 vale menos da metade da de R$ 50 quando esta foi lançada, em 1º de julho de 1994.

Quando se corrige pela inflação dos últimos 26 anos, o resultado é que os R$ 50 estariam valendo R$ 439 atualmente: no período, a variação de preços foi de 778,4% no Brasil.

Apesar disso, a cédula é a sexta mais valiosa do mundo em dólares (veja abaixo).

A nova nota com a imagem do lobo-guará será a sétima da família de notas do real. Desde 1994, quando o Plano Real foi lançado, duas novas cédulas foram lançadas: a de R$ 2, em 2001, e a de R$ 20, em 2002.

Serão produzidas neste ano 450 milhões de unidades da nota, de acordo com o BC, somando R$ 90 bilhões.

Por que foi criada uma nota de R$ 200? De acordo com o BC, a decisão foi tomada em meio ao forte aumento de circulação de cédulas no Brasil por causa da pandemia de coronavírus, em um fenômeno batizado de “entesouramento”.

Isso acontece porque pessoas e empresas estão sacando mais dinheiro para se resguardar em um momento de incertezas, e também por causa do auxílio-emergencial de R$ 600, que quase sempre é sacado em espécie.

Dados do Banco Central mostram que no final do mês passado, havia R$ 351,3 bilhões em dinheiro físico no Brasil. Antes da pandemia começar a fazer estrago, em 16 de março, esse valor era de R$ 254,1 bilhões.

Ou seja, no período da crise quase R$ 100 bilhões a mais em cédulas e moedas passaram a circular por aí ou, em muitos casos, passaram a ser guardados dentro de casa, “debaixo do colchão”.

A ideia da nota é atender a essa demanda por dinheiro físico reduzindo custos de impressão, logística e distribuição.

Por que o lobo-guará foi escolhido para ilustrar a cédula? A escolha do lobo-guará surgiu a partir de uma pesquisa feita em 2001 para escolha dos animais preferidos dos brasileiros.

“Em primeiro lugar, apareceu a tartaruga-marinha, que está na nota de R$ 2, em segundo o mico leão dourado, que está na nota de R$ 20, e em terceiro o lobo-guará, que está na nota de R$ 200”, afirmou Carolina de Assis Barros, diretora de administração do BC.

Quais as críticas à nova nota? E o que o BC diz a respeito? A nota vem sendo objeto de uma série de críticas, memes da internet e até uma tentativa de imaginar como seria a cédula.

Logo após o anúncio pelo BC, a internet foi inundada por memes com modelos da nova nota de R$ 200, estampada com o “vira-lata caramelo”, a ema do Palácio do Alvorada que bicou o presidente Jair Bolsonaro e até o falecido cantor Chorão, líder da banda Charlie Brown Jr.

Para contornar a polêmica, o BC até publicou uma espécie de guia sobre a nova cédula de R$ 200, com o objetivo de esclarecer os brasileiros sobre as polêmicas em torno da nota. Veja abaixo:

Lavagem de dinheiro?

No material, a autoridade monetária negou que a nova nota vá facilitar a lavagem de dinheiro, e afirma que a cédula terá o valor aproximado de US$ 39, “que não entendemos ser elevado, considerando o padrão internacional”.

De acordo com o BC, o Brasil possui uma série de normas modernas que permitem o combate e a prevenção desse crime. Esse arcabouço de regras é “alinhado às melhores práticas internacionais” e “independe do valor de denominação das cédulas”.

A partir de 1º de outubro, segundo o Banco Central, uma nova circular estabelecerá um controle ainda mais rígido para uso de valor em espécie acima de R$ 2.000. “Valores acima de 50 mil reais, depositantes precisam informar origem, os sacadores a finalidade”.

Inflação?

O lançamento significa que a inflação está subindo? Não, esclareceu o Banco Central.

“A inflação não está subindo no Brasil e o Banco Central está atento para evitar que isso ocorra, mantendo a inflação baixa, estável e previsível. O Brasil é um país que utiliza o sistema de metas para o controle da inflação. Assim, a atuação do Banco Central busca assegurar que a inflação esteja na meta”, assegurou o BC.

Falta de troco?

De acordo com o Banco Central, a nova nota entrará em circulação de forma gradual.

“O BC faz monitoramento diário das necessidades de troco com a ajuda de toda a rede bancária e trabalha de forma diligente para atendê-las. A entrada em circulação de qualquer nova denominação requer que o monitoramento em questão seja naturalmente intensificado”, explicou.

A autoridade monetária ainda explicou quanto cada nota que circula no Brasil representa do total.

“Do montante total de cédulas que se encontram em circulação: 18% são cédulas de R$ 2, 8% são cédulas de R$ 5, 9% cédulas de R$ 10, 12% cédulas de R$ 20, 32% cédulas de R$ 50 e 21% são cédulas de R$ 100.”

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