Em agosto, a Fiat relançou o 500, em uma versão 100% elétrica por ‘apenas’ R$ 239.990. Agora em setembro é a GM que deve entrar com o Novo Bolt no mercado brasileiro, que vai custar a partir de R$ 270.170.

O número de carros elétricos ofertados e vendidos começa a crescer, mas ainda é muito pequeno se comparado aos tradicionais – um dos motivos são os preços proibitivos. A tecnologia de ponta e o preço das baterias são as principais responsáveis pelo valor mais alto dos carros híbridos e elétricos.

Para os especialistas ouvidos pelo 6 Minutos, quando o mercado conseguir unir qualidade e preço mais baixo, será a hora em que os elétricos vão ganhar mais espaço nas ruas.

“Ainda não se tem uma bateria que é barata e dura bastante, estão especulando muito isso. Quando o mercado desenvolver uma bateria mais em conta e que pode ser carregada rapidamente, o negócio vai deslanchar. O carro elétrico é igual ao celular. Você sai de casa com ele e não pode ter esquecido de carregar”, afirma Renato Romio, chefe da divisão de motores e veículos do Instituto Mauá de Tecnologia.

Segundo Pedro Bentancourt, presidente da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), no início, as baterias chegavam a custar US$ 60 mil e hoje já estão na casa dos US$ 13 mil. “Há projeções que mostram que no momento em que a bateria custar US$ 100 por km/h não fará mais sentido fabricar veículos com motor a combustão”, afirma.

A durabilidade da bateria também dificulta a revenda do carro, já que ela tem um desgaste natural, o que faz com que os compradores prefiram os zero quilômetro. “Na hora que for comprar um elétrico, isso é levado em conta na precificação. A bateria no final da vida vai quase ser mais cara do que o carro”, afirma Romio.

O que pode dificultar o processo é se houver escassez de lítio, um componente importante das baterias. “O pessoal estima que pode ter problema com o fornecimento de lítio da bateria, mas ainda estamos longe do limite da produção de lítio para chegar a isso. É algo a longuíssimo prazo”, afirma Romio.

A importância do híbrido

Os especialistas consideram que o carro híbrido é a porta de entrada, já que o consumidor pode utilizar tanto a bateria como combustível para dirigir, o que reduz a dificuldade de abastecimento com energia elétrica, que ainda é um problema. Segundo a ABVE, até junho deste ano o país tinha 754 postos de abastecimento.

O tempo para recarregar varia muito de acordo com o modelo do carro e a capacidade da bateria, mas pode ir de 30 minutos, em carregadores rápidos, até 10 horas.

“O carro elétrico, por causa do preço, vai ter uma penetração limitada no Brasil. O que deve surgir mais ao longo do tempo são os híbridos. A tendência é que comecem a ganhar as ruas gradativamente e dominem o mercado dos carros médios no longo prazo”, afirma Romio.

E os problemas com semicondutores?

Enquanto as montadoras dos carros tradicionais enfrentam dificuldades de produção pela falta de semicondutores, os elétricos parecem estar em um universo onde isso não é um problema. É que a escala de produção ainda é pequena.

“Os elétricos e eletrificados tenderiam a ter um pouco mais de problemas por causa dos semicondutores do que os veículos de combustão, porque têm mais componentes eletrônicos, mais sensores e são mais sofisticados. Mas nós ainda não percebemos o impacto específico para o setor de elétricos. Os contratos, as programações de venda, vêm sendo observadas, porque o volume é muito menor do que os a combustão”, afirma Bentancourt.

Venda de elétricos no Brasil

As vendas e emplacamentos de eletrificados ainda é bastante modesta no país. No primeiro semestre deste ano foram vendidas 13.899 unidades, frente a 7.568 no mesmo período do ano passado.

Para Bentancourt, o futuro é elétrico e os carros híbridos vão ajudar a popularizar a eletrificação no país. “Estamos vendo um momento do crescimento do mercado que o avanço da eletrificação é irreversível, porque as economias mais avançadas estão focando em descarbonizar a produção”, afirma.

A estimativa da ABVE é de que as vendas podem chegar a 32 mil unidades até o final do ano, frente a 19.745 em 2020.

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