Sede da prova anual da Fórmula 1 no Brasil desde 1990, a cidade de São Paulo está garantida para continuar com esse status pelo menos até o próximo ano. E não há nenhum obstáculo para que o contrato não seja renovado por mais alguns anos depois de 2020. A afirmação foi dada pelo prefeito de São Paulo, Bruno Covas, em entrevista exclusiva para o 6 Minutos, especialmente para a estreia do site.

Sem especificar valores, Covas afirma que a prefeitura tem capacidade para gastar mais do que os R$ 30 milhões a R$ 40 milhões anualmente despendidos com o grande prêmio, desde que o investimento total necessário atenda a dois requisitos: “Há uma limitação orçamentária e uma limitação do benefício que a prova traz para a cidade. Há uma relação custo-benefício que será analisada”,  afirma.

A continuidade da realização da etapa brasileira da Fórmula 1 em São Paulo foi colocada em dúvida depois que o presidente Jair Bolsonaro afirmou, em abril, que havia uma negociação em curso para que o Rio de Janeiro abrigasse a prova já a partir de 2020, em um novo autódromo que seria construído em tempo recorde na zona oeste da cidade. Mas não houve ainda qualquer anúncio oficial.

A seguir, a primeira parte da entrevista que Covas concedeu ao 6 Minutos na sede da prefeitura.

O que a prefeitura de São Paulo está disposta a fazer para manter o grande prêmio de Fórmula 1 na cidade?

O contrato que nós temos vai até 2020. E a organização da Fórmula 1 já nos garantiu que vai cumpri-lo. Não há nenhuma discussão em relação à quebra do contrato. A prefeitura vem cumprindo com todas as suas contrapartidas. Em nenhum momento fomos notificados de qualquer desejo da organização em relação a quebrar esse contrato e, portanto, o evento vai acontecer em 2019 e em 2020 em São Paulo.

Como estão as negociações para manter a prova em São Paulo depois de 2020?

No fim do ano passado, começamos as tratativas com a Liberty, a dona da Fórmula 1, para renovar o contrato. E nunca nos foi colocado nenhum obstáculo para que isso ocorra, algo na linha “por causa deste ou daquele fato, fica inviável manter a corrida em São Paulo”. Estamos discutindo cláusulas do contrato, que não vou abrir porque ainda estão indefinidas, mas posso garantir que não há, de nenhuma das duas partes, obstáculos para a renovação. Agora há uma nova candidatura, a do Rio de Janeiro. É uma disputa saudável. Vamos atuar para que o grande prêmio permaneça na cidade de São Paulo.

A prefeitura está disposta a pagar para que a prova continue na cidade?

Hoje a Fórmula 1 custa de R$ 30 milhões a R$ 40 milhões para a prefeitura por causa das intervenções que ela tem que fazer no autódromo. É claro que isso não beneficia apenas a Fórmula 1. Cerca de 400 eventos acontecem em Interlagos por ano. As obras beneficiam todos esses eventos. E o impacto da Fórmula 1 para a cidade é de R$ 334 milhões. Há, portanto, uma limitação orçamentária e uma limitação do benefício que é gerado para a cidade. Vou dar um exemplo extremo. Não fará sentido pagar R$ 350 milhões para a Fórmula 1 se o benefício é de R$ 334 milhões. Há um custo-benefício que será analisado.

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O senhor extinguiu a Secretaria de Desestatizações. Pretende manter um ritmo acelerado para as privatizações?

Desde que foi montada, no início de 2017, a secretaria de Desestatizações nunca foi a secretaria que realiza a desestatização. Não assinava os editais nem os contratos de concessão ou privatização. Ela montava os editais e colocava os projetos de pé do ponto de vista econômico. Fez isso durante dois anos e cumpriu com esse objetivo. O que cabe agora é que a secretaria de Governo, junto com as secretarias das áreas relacionadas, execute aquilo que foi montado. Estamos dando andamento aos projetos. No caso do Pacaembu, o vencedor já foi escolhido e homologado. Estamos agora aguardando o prazo para assinar o contrato e passar a obrigatoriedade de manutenção do estádio para terceiros.

Tanto o vencedor da concessão do Pacaembu como do Parque Ibirapuera não são empresas com experiência nas áreas. Isso pode afetar a qualidade do serviço?  

No Pacaembu, o edital já previa que o vencedor não precisava ter esse tipo de credenciamento. Mas o consórcio vencedor tem essa experiência. O Tribunal de Contas do Município entende que precisa constar do edital essa obrigatoriedade. A prefeitura entende que não, porque isso restringe a participação de empresas e, portanto, a competição. Para a prefeitura, é suficiente que o grupo vencedor da concessão, caso não tenha experiência anterior na área, contrate uma empresa que tenha essa credencial. No Ibirapuera, a empresa vencedora pode contratar alguém com experiência em administrar parques.

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