A pandemia de Covid-19 produzirá mudanças duradouras no crescimento global, com avanço ainda maior da China. A proporção da expansão mundial proveniente da China deve aumentar de 26,8% em 2021 para 27,7% em 2025, de acordo com cálculos da Bloomberg com base em dados do Fundo Monetário Internacional.

Seriam mais de 15 e 17 pontos percentuais acima da participação dos EUA em 2021 e 2025 no PIB global estimado, respectivamente. Índia, Alemanha e Indonésia completam os cinco maiores motores de crescimento no próximo ano.

O FMI agora prevê que o PIB mundial encolha 4,4% neste ano, uma melhora em relação à queda de 4,9% projetada em junho, de acordo com o mais recente World Economic Outlook divulgado nesta semana. Em 2021, o FMI espera crescimento de 5,2%.

O FMI estima que a economia da China crescerá 8,2% no ano que vem, queda de um ponto percentual em relação à estimativa de abril do FMI, mas forte o suficiente para responder por mais de um quarto do crescimento global. O PIB dos EUA deve se expandir 3,1%, respondendo por 11,6% do crescimento global em 2021 em termos de paridade do poder de compra.

Até 2025, a perda cumulativa da produção em relação à trajetória projetada pré-pandemia deve crescer para US$ 28 trilhões.

“Embora a economia global esteja se recuperando, a ascensão provavelmente será longa, desigual e incerta”, disse Gita Gopinath, diretora de pesquisa do FMI, em relatório.

As cinco nações com maior número de mortes por Covid-19 – EUA, Brasil, Índia, México e Reino Unido – deverão registrar queda total do PIB de quase US$ 1,8 trilhão em termos nominais e de US$ 2,1 trilhões após ajustes segundo o poder de compra.

Pandemia fez pobres ficarem ainda mais empobrecidos

A pobreza extrema deve aumentar pela primeira vez em mais de duas décadas, e perdas persistentes da produção implicam um grande retrocesso nos padrões de vida em comparação com o período pré-pandemia, disse o FMI.

“Os pobres estão ficando mais pobres, com cerca de 90 milhões de pessoas que deverão entrar em privação extrema neste ano”, disse Gopinath.

Em janeiro, antes de o coronavírus começar a se espalhar pelo planeta, o FMI estimava expansão global de 3,3% neste ano e de 3,4% em 2021.

A Rússia, o nono maior contribuinte para o crescimento total em 2021, deve avançar para o quinto lugar em cinco anos com a desaceleração do crescimento econômico da Alemanha.

Após a recuperação em 2021, o crescimento global deve desacelerar gradualmente para cerca de 3,5% no médio prazo, de acordo com o relatório.

Com exceção da China, onde o PIB deve ultrapassar os níveis de 2019 neste ano, a produção nas economias avançadas e nos mercados emergentes e em desenvolvimento deve permanecer abaixo dos patamares de 2019 também em 2021.

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