Há dois anos, o paulistano Fernando Vieira comanda um brechó chamado Bazar Modelo Bom. Desde o começo, a loja sempre vendeu mais pela internet que fisicamente. Mas a maior parte dos pagamentos sempre foi feita com cartão de crédito. Era assim até a chegada da pandemia.

“Eu já usava o link de pagamento antes. Hoje, 80% das minhas vendas são pagas desse modo”, diz Vieira, que vende pelo Instagram, Facebook e Whatsapp. “A pessoa escolhe a peça, eu mando o link, ela clica e paga”, conta.

Assim como aconteceu para a Bazar Modelo Bom, os meios de pagamento eletrônicos ajudaram muitos pequenos comerciantes a vender online durante a pandemia. Dentro desse novo cenário, o link de pagamento foi uma das modalidades que mais cresceram.

“O pequeno empreendedor viu que para vender online não precisava ter um site. Dava para fazer tudo por aplicativo de mensagem. E o link de pagamento é fundamental para isso”, diz Renata Daltro, superintendente de corporate da Cielo.

A Cielo é a líder no mercado de meios de pagamento. Tem cerca de 40% do mercado, seguida da Rede (do Itaú Unibanco), da Getnet (do Santander), da PagSeguro e da Stone.

Na empresa, a modalidade de link para pagamento já existia há dois anos. Mas foi agora, na pandemia, que o sistema teve seu maior salto de crescimento: 495% mais transações na comparação entre julho e fevereiro, o último mês antes do coronavírus chegar.

No geral, a Cielo foi muito afetada pelo fechamento do comércio: o faturamento, segundo o relatório semestral da empresa, chegou a cair 37% em abril, 31% em maio e 22% em junho. “Noventa e cinco por cento dos varejistas não estavam preparados para o que vivemos. Mas a transformação digital foi muito acelerada pela pandemia e isso salvou muita gente”, diz Renata.

Na concorrente Getnet, o faturamento com e-commerce (excluindo turismo) cresceu mais de 100% neste ano em relação ao ano passado, segundo Pedro Coutinho, presidente da empresa. “Nossa prioridade nesse momento foi ajudar o pequeno empresário a entrar no comércio eletrônico e as soluções de pagamento, como o link, foram essenciais para isso”, diz ele.

Em junho, segundo o relatório da empresa, o número de novos clientes aumentou 12,8% na comparação com o mesmo mês de 2019. A participação de mercado em um ano passou de 10% para 13,5%.

Mil novas lojas por dia

A Getnet criou uma plataforma para ajudar pequenos empreendedores a montar lojas online. A companhia não revela quantos lojistas aderiram ao sistema.

Mas uma pesquisa da Abcomm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico) mostra que mais de 135 mil lojas aderiram às vendas pelo comércio eletrônico desde o início da pandemia. São mais de mil novas lojas por dia entrando na rede. Antes da pandemia, a média mensal era três vezes menor: 10 mil lojas por mês.

“Quem não estava acostumado a comprar online precisou se render devido à praticidade e à recomendação de ficar em casa”, diz Eduardo Fregonesi, presidente da Synapcom, empresa de gestão para e-commerces. “O coronavírus promoveu a transformação digital em muitas empresas que ainda resistiam a esse conceito.”

E a segurança virtual?

Alguns especialistas dizem que por conta da tecnologia para evitar fraudes, há empresas em que a taxa cobrada do comerciante é maior no caso dos links de pagamento. Na Cielo, Renata Daltro diz que o percentual cobrado para o link é o mesmo já acordado para outros meios de pagamento. “Eles não são mais altos, embora a tecnologia para evitar fraudes seja mais elaborada”, afirma. Na Getnet, segundo Coutinho, a taxa é de 2% para todos os serviços, com dois dias para o recebimento.

Pior que mandar nude

“O lojista tem que saber que precisa operar com segurança”, afirma Renata. “Tem muita gente ainda que pede foto ou os números do cartão do cliente. Isso é a coisa mais insegura do mundo. É pior que mandar nude”. Por isso, a Cielo corre atrás desse pequeno empreendedor.

Para isso, a empresa criou um sistema para ajudar clientes que não sabiam nem como receber as vendas online ou enviar os produtos. “Criamos um link de pagamento que dá a opção para o cliente de contratar a Loggi para a entrega. Fizemos uma parceria com eles e está dando muito certo”, afirma a executiva.

Na Getnet, esse receio e falta de experiência do pequeno comerciante também tem sido levada em consideração. “Por isso, mantemos uma linha com pessoas para atender às dúvidas do cliente. Saber que tem alguém de carne osso para ajudar, dá segurança para esse pequeno empreendedor”, diz Coutinho.

Pagamentos por aproximação

O receio de contato com dinheiro ou maquinhas têm impulsionado os pagamentos por aproximação, segundo dados da Visa e da Mastercard. Essas transações são realizadas com cartões com NFC ou acessórios de pagamento, como relógios e pulseiras.

Na Visa, os pagamentos por aproximação cresceram quatro vezes mais de abril a junho em relação ao mesmo período de 2019.

O Sem Parar registrou um aumento de 103% no uso de pagamentos de drive-thrus no primeiro semestre deste ano na comparação com 2019. Essa tecnologia é usada para pagar a conta em lojas de fast food como Habib’s e Burger King, além de combustível nas redes Shell e BR.

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