Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) – O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, disse, durante depoimento na CPI da Covid do Senado nesta terça-feira que a senadora Simone Tebet (MDB-MS) estava “totalmente descontrolada”, o que gerou uma forte reação diante da declaração machista, e a comissão decidiu incluí-lo no rol de investigados.

Durante sua fala, Simone Tebet fez uma apresentação pormenorizada do que considera de “incongruências” na atuação da CGU em investigar as irregularidades do contrato do Ministério da Saúde para a compra de doses da vacina indiana Covaxin.

A parlamentar apontou que a CGU atuou somente após a revelação de suspeitas nas tratativas e não preventivamente, podendo impedir o avanço da negociação.

No início da resposta, Wagner Rosário recomendou à senadora “lesse tudo de novo” alegando que ela havia dito inverdades. Ela rebateu-o, pedindo respeito e que estaria se comportando como um “menino mimado”.

Exaltado, o ministro disse que ela havia chamado-o de “engavetador” e depois disse que estava “totalmente descontrolada” ao atacá-lo.

Após esse comentário, Simone e os senadores da CPI reagiram imediatamente, chamando o ministro de “machista” e se iniciou um duro bate-boca. O ministro, advogados e senadores levantaram-se dos seus lugares e a altercação elevou-se com dedos em riste e declarações fortes.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), decidiu suspender a sessão temporariamente para acalmar os ânimos.

No retorno, já sem a presença de Wagner Rosário na sala da CPI, Omar Aziz decidiu acatar a sugestão feita pelo relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), e incluir Wagner Rosário na lista de investigados do colegiado.

Em entrevista após o fim da reunião, Simone Tebet disse que Rosário havia tentado “passar pano” na questão do contrato da Covaxin e fez uma defesa intransigente e equivocada do governo federal e do Ministério da Saúde. Ela disse que o ministro “não aguentou” e partiu para pronunciamentos e falas infelizes.

Questionada sobre a declaração de descontrole feita por Rosário, a senadora disse que não vai polemizar com esse ponto e destacou que uma eventual investigação por crime de desacato do ministro cabe ao relator da CPI.

Também em entrevista, o senador governista Marcos Rogério (DEM-RO) admitiu que a resposta do ministro foi “fora do tom” e não adequada por se tratar de uma senadora da República. Ainda assim, ele disse que Rosário –a quem considera ter prestado um bom depoimento– estava sendo provocado desde o início da sessão da CPI.

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