Por Adriana Barrera e David Alire Garcia

CIDADE DO MÉXICO (Reuters) – O governo mexicano atrasou em mais de dois anos a aprovação de permissões de importação de milho geneticamente modificado, contemplado em uma proibição planejada até mesmo para a alimentação de criações, segundo o chefe da organização agroindustrial mais importante do país.

Juan Cortina, presidente do Conselho Nacional Agropecuário (CNA), afirmou que a autoridade sanitária, Cofepris, postergou o aval de 16 solicitações de compras externas de organismos geneticamente modificados, entre os quais oito dessas solicitações eram para o milho.

“É um tema que vem se tornando cada vez maior”, afirmou Cortina em uma entrevista com a Reuters na quarta-feira. “Antes desta administração? Claro que não”, respondeu ele, sobre se tinha conhecimento do atraso das permissões no passado.

A Cofepris não respondeu de imediato a solicitação de comentários sobre o que Cortina disse, que acrescentou que a lista de permissões adiadas relacionadas à “proteção de cultivos” era de mais de 700 produtos ou insumos agrícolas.

O diretor afirmou que a CNA continuará combatendo nos tribunais um plano governamental para eliminar gradualmente o uso de milho geneticamente modificado e do herbicida glifosato para 2024, após um revés recente para congelar a implementação da medida, anunciada no final de dezembro através de um decreto presidencial.

O plano visa substituir milhões de toneladas de milho amarelo geneticamente modificado que o México importa, em sua grande maioria dos Estados Unidos, com nova produção local para 2024, assim como o glifosato, um químico muito utilizado na agroindústria, mas que os ambientalistas afirmam ser cancerígeno.

As importações de milho transgênico representam mais que um terço da demanda nacional do país e alimenta principalmente a grande indústria pecuária no México.

(Reportagem de Adriana Barrera e David Alire)

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