A inadimplência nos pagamentos de taxas condominiais no estado de São Paulo caiu abaixo de 2%, pela primeira vez em 17 anos. Os últimos dados de um estudo mensal realizado pela Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC) trazem uma taxa de 1,88% no mês de maio. Esse foi o menor índice da série histórica, iniciada em 2004.

Qual foi o tamanho da queda? Os números do Índice Periódico de Mora e Inadimplência Condominial (IPEMIC) mostram que a taxa de maio deste ano caiu quase pela metade ante igual mês de 2020, quando o indicador ficou em 3,39%, com algum efeito do impacto econômico causado pela pandemia. Em maio de 2019, o índice havia apurado percentual de 2,90%.

O que explica a queda em meio à crise? De acordo com analistas, há três principais motivos para a queda na inadimplência em São Paulo:

Corte de gastos: houve diminuição de gastos extras, como fundos de reserva e reformas. “Antes da pandemia a gente já vinha com os índices de inadimplência sob controle, porque há quatro ou cinco anos atrás tivemos problemas econômicos, aumento de desemprego, e os condomínios já vinham fazendo um enxugamento de despesas para poder equilibrar a inadimplência”, afirma José Roberto Graiche Júnior, presidente da AABIC.

Priorização da casa e menos consumo: da parte dos condôminos, a explicação estaria na diminuição das despesas fora de casa e em uma maior preocupação com as dependências comuns.

Dados da pesquisa “Raio-X do Investidor”, realizada pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) em parceria com o Datafolha, mostram que 36% dos brasileiros conseguiram economizar em 2020. Em relação ao ano anterior à pandemia, o número representa uma queda de apenas 2%.

Entre os que puderam guardar dinheiro, 56% afirmaram que o motivo principal para a redução de despesas foi não poder sair e viajar, já que bares e restaurantes passaram grande parte do período de portas fechadas.

“Com essa redução de despesas, quem não perdeu renda conseguiu ter uma maior saúde financeira. Outro ponto é que foi necessário intensificar a comunicação com relação às áreas comuns e às regras sanitárias. Esse contato com as administradoras levou para as famílias a importância do que estava sendo feito para manter as coisas em ordem e as pessoas seguras”, afirma Angélica Arbex, Diretora de Marketing e Inovação da Lello Condomínios.

Qual tem sido a flutuação no período de pandemia?  No início da pandemia, houve receio entre os administradores de que as taxas pudessem aumentar. No entanto, foi observado apenas um impacto inicial, seguido de estabilidade ao longo de 2020 e, agora, uma tendência de queda.

De acordo com José Roberto, a leva alta observada no início de 2021 é um movimento típico, em decorrência dos gastos de final de ano e da temporada de pagamento de impostos.

Como devem ser os próximos meses? Para o presidente da AABIC, a tendência observada nas assembleias e previsões para o ano é de que a inadimplência se mantenha baixa, possibilitando arrecadações para melhorias de infraestrutura e formação de reserva para momentos de aperto no orçamento.

Como as taxas são medidas? A AABIC considera para cálculo da inadimplência os valores de boletos de taxas condominiais emitidos e não pagos até a data do vencimento por três meses seguidos. O índice tem como base 3.100 condomínios dos mais diversos padrões localizados na região do Estado de São Paulo.

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