O Mercago Pago, fintech de pagamentos do Mercado Livre, aposta na parceria com o varejo para sair na frente na corrida pelo PIX. É que para receber o dinheiro do cliente, o comerciante ou prestador de serviço precisará ter uma conta digital em uma das 1.000 instituições que aderiram à nova plataforma de pagamentos instantâneos, caso do Mercado Pago.

Para Rodrigo Furiato, diretor da carteira digital do Mercado Pago, os grandes disseminadores do PIX como meio de pagamento serão os comércios que recebem no débito ou dinheiro, como supermercados, padarias, postos de gasolina e farmácias.

“O varejo que não vende parcelado vai ditar a velocidade de implantação do PIX”, disse Furiato ao 6 Minutos. “Estamos fazendo um trabalho forte nesse segmento: pegando esse varejista, sentando com ele e apresentando uma proposta de aceitação do PIX.”

Segundo ele, o  maior incentivo que esse grupo terá será a facilidade de uso e a redução de custo com taxas de maquininhas de débito. “Nosso trabalho é esse, de mostrar a redução de custo, de falar da necessidade de treinar os funcionários para ofertar o PIX.”

O que muda no custo do recebimento do dinheiro? A transação não terá intermediários no pagamento com o PIX: o dinheiro sairá da conta do cliente para a conta do lojista ou prestador de serviço. Hoje, o comerciante paga uma taxa por pagamento recebido, e, em alguns casos, o aluguel da maquininha.

O que muda no caso do Mercado Pago? Hoje, os varejistas que utilizam o QR Code do Mercado Pago só conseguem receber de clientes da carteira digital da empresa. Por isso, é comum que lojistas exibam no balcão o QR Code de várias instituições. Com a chegada do PIX, o varejista não precisará desse monte de códigos, pois acaba essa limitação.

“O Mercado Pago já tem o protagonismo do QR Code, já estamos há dois anos colocando esse meio de pagamento no varejo. O PIX estará em 100% de nossas maquininhas, estamos assumindo esse risco para que elas estejam adequadas”, afirmou Furiato.

Qual a estratégia do Mercado Pago para abocanhar esse mercado? Até novembro, o PIX estará em todas as maquininhas do Mercado Pago. Quando o cliente pedir para pagar com PIX, o código estará na tela da maquininha ou na plaquinha do balcão.

O PIX vai matar as maquininhas? Furiato diz que o cartão continuará tendo espaço no varejo por um bom tempo, até porque o brasileiro gosta de pagar a prazo e parceladamente. “O débito vai ser mais fortemente impactado. O crédito tem uma sobrevida.”

Segundo ele, a função pagamento agendado do PIX não terá o mesmo atrativo do cartão de crédito para o varejista. Nessa modalidade, não há garantia de recebimento se o cliente não tiver dinheiro na conta no dia do agendamento.

E que vantagem o PIX traz para o Mercado Livre? O executivo diz que são várias. A primeira delas é a garantia de que o cliente efetuou o pagamento. Hoje, os pagamentos das compras feitas no fim de semana são confirmados apenas na segunda-feira. Isso é uma eternidade em um mundo que trabalha com prazos apertados de entrega.

“Quem já tentou comprar no e-commerce com cartão de débito sabe como a experiência é ruim. O PIX vai dar para o cliente do débito a mesma facilidade que o pagamento com cartão de oferece na compra online”, diz Furiato.

O que as instituições vão fazer com o pré-cadastro de chaves de identificação dos usuários? “Estamos trabalhando com dois cenários. Um é o de que esse pré-cadastro precise ser confirmado em outubro. Outro, que ele seja validado e seja suficiente para o cadastramento. Aguardamos uma conformação do BC.”

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