Menos leite condensado, achocolatado e manteiga. Mais pão de forma, verduras e carnes. As mudanças no carrinho de supermercado refletem como o comportamento do brasileiro foi se alterando ao longo dos seis meses de quarentena. Depois de abrir espaço para guloseimas e outros supérfluos, o consumidor voltou a priorizar itens essenciais da cesta básica.

“Houve um momento de aumento no consumo de itens ligados à indulgência (sentimento de merecimento), como leite condensado e achocolatado, para compensar o castigo de ficar em confinamento. Mas a situação mudou, as pessoas já estão saindo de casa e consumindo na rua”, diz Luiza Zacharias, diretora da Horus, empresa de inteligência de mercado.

Levantamento da Horus mostra que a cesta de compras do brasileiro encolheu 13,6% no quarto bimestre na comparação com os primeiros dois meses do ano. Essa redução é reflexo da redução na compra de alguns desses supérfluos:

  • Leite condensado: -8,98%
  • Farinhas e grãos: -8,73%
  • Óleos: -7,76%
  • Massas alimentícias: -7,09%
  • Leite em pó: -7%
  • Margarina: -6,04%
  • Achocolatado: -5,52%
  • Biscoitos: -5,32%
  • Farinha de trigo: -4,88%
  • Linguiça: -4,70%

O que essas quedas mostram? Que o brasileiro priorizou cortes de itens ligados ao comportamento de indulgência. Passada a fase de pânico e adaptação à pandemia, o comportamento de compra entrou na fase de indulgência. Por isso, gastos com itens não essenciais tiveram alta de vendas. Como a pandemia parece não ter fim, o comportamento começa a voltar para um padrão de normalidade.

O que mais interferiu na redução de compra desses produtos? A alta do preço do arroz pesou também nessa mudança. Enquanto o preço do produto subiu 26% do primeiro para o quarto bimestre, a presença do produto na cesta de compras caiu apenas 9,4%. No mesmo período, o gasto com a cesta de compras caiu 8,5%. O que isso significa? Que o consumidor tentou compensar a alta do arroz cortando outros itens.

“O arroz subiu, mas não houve substituição por macarrão ou outros produtos. Até porque meio quilo de arroz faz muito mais refeições que meio quilo de macarrão. Para garantir a compra do arroz, o consumidor cortou outros itens, como os de indulgência”, conta Luiza.

Mais alguma queda nas vendas significativa? Sim, nos itens relacionados à limpeza e higiene pessoal:

  • Sabão para roupa: -7,46%
  • Sabonete: -6,51%
  • Água sanitária: -5,90%
  • Sabão em barra: -5,68%
  • Desodorante: -5,34%
  • Creme dental: -5,25%
  • Xampu: -4,91%
  • Papel higiênico: -4,28%
  • Detergente líquido: -3,89%
  • Esponja: -3,73%

O que isso mostra? Que as pessoas estão abandonando hábitos de limpeza adquiridos na pandemia. “O comportamento desses produtos está voltando para um padrão de normalidade”, afirma a diretora da Horus. “Havia muita preocupação com limpeza, mas agora as pessoas começaram a relaxar.”

E o que cresceu? Itens essenciais para a alimentação do dia a dia:

  • Pão: 4,14%
  • Verduras: 3,9%
  • Bovino: 3,76%
  • Chá pronto: 2,08%
  • Azeite: 0,98%
  • Leite UHT: 0,75%

Volta ao normal muda composição do carrinho de compra no Supermercado/Crédito: Shutterstock

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