A indústria engatou uma sequência de sete meses de recuperação, impulsionada pelas medidas emergenciais adotadas pelo governo no enfrentamento da crise provocada pela pandemia de covid-19, avaliou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A produção avançou 1,2% em novembro ante outubro, superando em 2,6% o patamar de fevereiro. Das 26 atividades investigadas, 17 já recuperaram as perdas e operam em nível igual ou superior ao pré-crise sanitária, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal divulgados pelo IBGE.

“A gente tem uma melhora do comportamento da indústria ao longo de 2020, face a uma perda importante observada em função da necessidade de isolamento social, mas ainda tem um espaço importante a ser recuperado”, disse Macedo.

A indústria opera 13,9% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.

“Ela está recuperando as perdas que teve nesse período mais recente, alimentada muito pelas medidas emergenciais do governo no enfrentamento da pandemia: auxílio emergencial, liberação de Fundo de Garantia (FGTS), programa de manutenção de emprego”, enumerou Macedo. “A gente consegue observar que as medidas emergenciais do governo ajudaram a imprimir uma melhora na trajetória industrial”, completou.

Segundo o pesquisador do IBGE, a pandemia também fez as famílias deslocarem recursos que seriam destinados ao consumo de serviços para o consumo de bens industriais, o que também ajudou na retomada do setor, especialmente na produção de eletrodomésticos e de material de construção.

No entanto, ainda não é possível mensurar o impacto do fim do pagamento do auxílio emergencial sobre a indústria e a economia como um todo em 2021, em meio a um mercado de trabalho “ainda longe de mostrar qualquer grau de melhora”, ponderou Macedo. “Temos 14 milhões de pessoas fora do mercado de trabalho. Isso deve ser levado em conta para entender o comportamento da indústria e da economia como um todo em 2021”, concluiu.

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