O surto do coronavírus representa o maior choque de demanda de commodities desde a crise financeira global, afirma o Goldman Sachs. É uma má notícia para economias como a brasileira, que possuem uma forte dependência da produção e da exportação dessas matérias-primas.

A paralisação da atividade econômica na China reduziu a demanda por petróleo em estimados 4 milhões de barris por dia, em comparação com 5 milhões de barris na crise financeira de 2008 e 2009, disse em relatório Jeff Currie, chefe de pesquisa global de commodities do banco. Com novos casos sendo relatados na Europa, no Oriente Médio e nos EUA, é provável que o impacto se espalhe para o Atlântico no próximo mês.

Para piorar a situação, a “capacidade finita de armazenamento na China — embora grande — se esgota rapidamente, apresentando mais riscos de baixa (nos preços)” se o espaço para estoque acabar, disse Currie.

Para o petróleo e outros produtos de energia, qualquer corte da demanda será considerada como perdida, enquanto o menor consumo de outras commodities, como aço e alumínio, poderia ser recuperado mais tarde, disse Currie.

Expectativas de anúncios de estímulo fiscal (gastos maiores dos governos) e monetário (redução de juros pelos bancos centrais) para estimular a economia devem criar volatilidade dos preços das commodities daqui para frente.

O ouro, por outro lado, tem “imunidade ao vírus” e superou o desempenho de outros ativos vistos como porto seguro, como o iene japonês ou o franco suíço, disse o Goldman Sachs.

Cerca de 45% das travessias programadas de navios de contêineres da Ásia para a Europa foram canceladas nas quatro semanas após o feriado do Ano Novo Lunar no fim de janeiro, disse Currie.

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