O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou, nesta sexta-feira (8), minutos depois de deixar a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde ficou preso durante um ano e sete meses.

Ele foi solto após o STF (Supremo Tribunal Federal) decidir que o cumprimento de penas só deve acontecer após esgotados todos os recursos — apesar de seguir condenado, o ex-presidente ainda pode recorrer da pena de 8 anos e 10 meses imposta a ele. Lula foi considerado culpado por ter supostamente recebido um apartamento tríplex no Guarujá (SP) em troca de beneficiar a empreiteira OAS em contratos com a Petrobras.

Em um discurso curto, de cerca de 20 minutos, o ex-presidente criticou os responsáveis pela sua prisão e agradeceu os militantes que permaneceram em vigília ao longo desses quase 600 dias em frente à Polícia Federal.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixa a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixa a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba
Crédito: Cassiano Rosário/Futura Press/Estadão Conteúdo

“O lado podre da Justiça, do Ministério Público, da Polícia Federal e da Receita Federal trabalharam para tentar criminalizar a esquerda, o PT e o Lula”, disse o ex-presidente, que ainda criticou a cobertura da Rede Globo e insinuou que a vitória de Jair Bolsonaro no pleito de 2018 foi “roubada”

O Lula foi solto. E agora? Havia muita expectativa a respeito do tom que o ex-presidente, uma liderança com poder de influenciar a oposição e parte da sociedade, adotaria em seu primeiro discurso.

Na fala, o ex-presidente disse que sai “sem ódio” e anunciou a sua intenção de realizar atos políticos pelo país, uma reedição das “caravanas” realizadas também em outros momentos ao longo da sua trajetória.

Na última vez, em 2017, Lula fez essa caravana com a intenção de promover a sua pré-candidatura à Presidência, que acabou barrada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com base na Lei da Ficha Limpa. Enquanto permanecer condenado, o ex-presidente também seguirá inelegível.

O discurso de Lula. O ex-presidente deixou claro qual deve ser seu discurso neste momento: o de que a situação dos mais pobres vem piorando no Brasil nos últimos anos, citando dados do IBGE sobre o aumento da extrema pobreza. Ele também criticou a possibilidade da interrupção dos aumentos reais no valor do salário mínimo.

Neste sábado, manifestações contra e a favor do ex-presidente devem acontecer. Lula volta a discursar, agora no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Já grupos à direita, como o MBL (Movimento Brasil Livre) e o Vem Pra Rua convocam protestos para a região da Avenida Paulista, a favor da segunda instância e contra o ex-presidente.

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