A economia ainda demonstra estar em marcha lenta, mas os números dos balanços financeiros mostram que pelo menos parte do setor privado está pleno em ritmo de recuperação. Um levantamento feito pela Economatica, consultoria de dados financeiros, consolidou os resultados operacionais do segundo trimestre de 2019.

Setor de óleo e gás foi destaque entre os que mais lucraram no segundo trimestre de 2019
Crédito: Shutterstock

Como foi o quadro geral? O lucro líquido das mais de 300 empresas que possuem capital aberto (ou seja, que têm ações negociadas na bolsa de valores) somou R$ 71,5 bilhões – valor 73,4% maior que o do segundo trimestre de 2018.

Os aumentos dos lucros foram disseminados – ou seja, quase todos os setores embolsaram mais neste período. Dos 26 segmentos observados pela pesquisa, somente dois registraram prejuízos. No mesmo período do ano passado, sete setores fecharam no vermelho.

É importante fazer uma ponderação: os resultados do ano passado foram impactados pela greve dos caminhoneiros, ocorrida no segundo trimestre. Isso explica o salto grande dos lucros em 2019.

Quais setores lucraram mais? O grupo de bancos foi o que mais lucrou no segundo trimestre deste ano — mantendo a tradicional primeira posição do ranking. No total, as instituições financeiras registraram um ganho de R$ 22,7 bilhões.

Em segundo lugar está o segmento de petróleo e gás, com lucro de R$ 20,3, seguido por energia elétrica, com R$ 9,6 bilhões.

Os setores que fecharam no vermelho foram o de mineração, com prejuízo de R$ 459 milhões e o de construção, com prejuízo de R$ 105 milhões. O primeiro foi fortemente impactado pelo prejuízo de R$ 384 milhões da Vale, maior empresa de mineração do país.

Quais empresas lucraram mais? A Petrobras é a número um da lista, com lucro de R$ 18,8 bilhões. Em seguida vêm Itaú (R$ 6,8 bilhões), Bradesco (R$ 6 bilhões), Eletrobras (R$ 5,7 bilhões), Banco do Brasil (R$ 4,2 bilhões), Santander (R$ 3,4 bilhões), Ambev (R$ 2,5 bilhões) e JBS (R$ 2,2 bilhões).

Quais empresas deram mais prejuízo? A campeã foi a Oi, que reportou baixa de R$ 1,6 bilhão. Logo após temos Carrefour (R$ -494 milhões), Renova (R$ -426 mihões), Vale (R$ -384 milhões) e PDG (R$ -249 milhões).

O que os números significam? A multiplicação dos ganhos é um sinal de boa saúde das empresas de capital aberto, mas é importante lembrar que o levantamento abrange somente 306 empresas com ações na bolsa. Em geral, são companhias consolidadas, com bom acesso ao crédito e mercado de capitais.

Sendo assim, o levantamento mostra apenas um espectro da economia. De qualquer forma, é boa a notícia de que as grandes empresas estão afrouxando os cintos, e conseguiram ampliar suas margens neste trimestre. Mantido esse ritmo, esses lucros podem se traduzir em mais investimentos, ampliando a necessidade por mão de olha, ou em mais ganhos para os acionistas.

 

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