O mercado imobiliário em São Paulo confirmou o movimento de recuperação iniciado há dois anos e encerrou 2019 com recorde de lançamentos e vendas, de acordo com pesquisa divulgada nesta quinta-feira (dia 13) pelo Secovi-SP (Sindicato da Habitação de São Paulo). O levantamento considera imóveis residenciais novos.

Os lançamentos de imóveis no ano passado cresceram 49,6% em comparação com o ano anterior, totalizando 55,5 mil unidades. As vendas subiram 49,5% no mesmo período, chegando a 44,7 mil unidades. Tanto os lançamentos quanto as vendas foram os maiores já registrados desde 2004 na capital paulista.

Saindo do fundo do poço

Em 2016, o mercado havia registrado o recorde de baixa, com o menor volume de lançamentos e vendas da série histórica, em decorrência da crise econômica nacional e da recessão de 2015 e 2016.

“Saímos do fundo do poço em 2016, melhoramos em 2017, tivemos crescimento significativo em 2018 e chegamos a uma expansão também relevante em 2019”, disse o economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci.

Em termos financeiros, os números de crescimento também foram expressivos, próximos a 50%. Os empreendimentos lançados em 2019 tinham valor geral de vendas (VGV) avaliado em R$ 27,9 bilhões em 2019, 46,8% mais do que em 2018. Já as vendas efetivadas movimentaram R$ 22,3 bilhões, alta de 43,8%.

Estoques disparam

Com a euforia em torno de crescimento do mercado imobiliário na cidade de São Paulo e a retomada dos lançamentos pelas incorporadoras, o estoque de imóveis residenciais disparou.

As unidades na planta, em obras e recém-construídas somavam 34 mil unidades no fim de 2019, montante 52,4% maior do que no mesmo período de 2018, quando estava em 22,3 mil.

O estoque do fim de 2019 também chegou a um patamar 79,6% acima da média histórica na capital paulista, que é de 18,9 mil unidades, conforme dados do Secovi-SP.

Imóveis na planta sobem 60%

A pesquisa mostrou também que 58,8% desse estoque correspondia a imóveis na planta, enquanto 37,5% estão em fase de obras. Apenas 3,7% são apartamentos prontos, que geram gastos de condomínio e manutenção para as incorporadoras enquanto não são vendidos.

“A oferta final de imóveis atingiu um pico, de fato. Mas nunca tivemos um trimestre com tantos lançamentos quanto no fim de 2019”, disse Petrucci durante entrevista coletiva à imprensa.

Apesar da disparada no volume dos estoques, Petrucci afirmou que esse pico não representa um problema para as empresas. “Essa oferta não nos preocupa. Grande parte ainda está na planta ou em fase de construção. São poucos os imóveis prontos. O mercado está muito mais saudável do que anos atrás”, disse.

Para justificar essa visão, ele afirmou que a velocidade de vendas na capital paulista está em 57,9%. Na prática, o indicador mostra que foram vendidas 57,9% de todas as unidades disponíveis no mercado nos últimos 12 meses. A velocidade é superior à média dos últimos cinco anos, quando ficou abaixo de 50%.

Razões para o crescimento

A guerra pelo crédito imobiliário entre os maiores bancos do país, que derrubou as taxas de juros cobradas em financiamentos, é um dos principais fatores para a retomada do mercado. Além disso, a recuperação gradual do mercado de trabalho e a estabilidade da economia também favorecem as compras pelas famílias.

Minha Casa Minha Vida

A pesquisa mostrou que os empreendimentos classificados como “econômicos”, enquadrados no Minha Casa Minha Vida (MCMV), puxaram a expansão do mercado na cidade de São Paulo nos últimos anos: representaram 49,2% das unidades lançadas em 2019, acima dos 43,9% em 2018, 36,6% em 2017 e 18,5% em 2016.

Quer tirar suas dúvidas sobre o Imposto de Renda de 2021? Mande sua pergunta por e-mail (faleconosco@6minutos.com.br), Telegram (t.me/seisminutos) ou WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).